26 dezembro 2012

3. You Make Me Love You - Capítulo 39


Carência


Belieber’s POV

  
Não conseguia calcular o infinito número de danos que aquela briga com Justin estava me causando. Eu estava me sentindo um lixo, por dentro. E, por fora, eu também não parecia muito sã do que estava fazendo. Até agora eu já havia passado o endereço errado para o taxista, feito o Jake esperar e também realizado, provavelmente, um dos piores testes da minha vida. Afinal, eu mal estava conseguindo manter minha atenção no que estava lendo.

    Esperei, enquanto o moreno a minha frente se concentrava no bloco de folhas que antes estava em minha mão. Ele passava as páginas, calmamente, e ia franzindo a testa cada vez mais, à medida que sua caneta vermelha ia passando pelas longas respostas. Eu tinha certeza de que ele estava se perguntando se poderia dar uma nota abaixo de zero.

     Quando ele finalmente pareceu acabar, deslizou o papel pela pequena mesa até parar diante de mim. Embora eu tivesse quase certeza que ainda enfrentava dificuldades para focar minha atenção em leitura, ainda dava para ver o “A” rabiscado no canto superior direito da primeira página. Olhei rapidamente para Jake, um tanto perplexa, mas ele não pareceu se alterar. Na verdade, continuava a me fitar com o que aparentava ser orgulho.

     - Bom trabalho, (Seu Nome)! – parabenizou por fim, enquanto arrumava suas coisas em uma mochila.
     - Ah, é um alívio ouvir isso... – suspirei.
     - Nossa! Eu sou realmente tão chato assim, para você chegar a ficar aliviada por ter se livrado de mim? – perguntou com um tom de brincadeira, embora sua expressão parecesse realmente surpresa.
     - Não... – ri, antes de tomar o último gole da bebida que eu havia escolhido – Mas estudar é cansativo!
     - Discordo! – Jake sorriu de uma forma fofa e eu quase me senti reconfortada por alguém está sendo legal comigo. – Então, eu... Tenho um outro compromisso agora e...
     - Tudo bem! Eu também tenho que ir...
    
     Ele se levantou, se pondo ao meu lado rapidamente e, me ajudou a levantar. Jake era do tipo cavalheiro e eu admirava isso. Ele havia se casado alguns meses atrás – em uma cerimônia maravilhosa – e, a julgar pelo que eu conheço do homem ao meu lado, posso afirmar que a esposa dele é uma mulher de sorte.

      Esperei, enquanto ele conversava algo com o possível gerente do cybercafé e depois se dirigia ao meu lado, antes de me acompanhar até a porta. Seus passos eram curtos com a possível intenção de me acompanhar.

     - Então, quer uma carona para casa? – perguntou, quando já nos encontrávamos fora do estabelecimento.
     - Na verdade, não. Obrigada! – sorri, tentando manter o pingo de simpatia que ainda me restava. – Eu não vou para casa agora. Acho que vou dar uma volta por aí. Mas, de qualquer jeito, obrigada por oferecer!
     - Bom, então... Acho que nos vemos no próximo semestre, certo?
     - Se eu tiver sorte, sim.
     - Se cuida, hein?

      Jake me abraçou de forma meio desajeitada e eu abafei um riso de seu jeito atrapalhado. Em silêncio, observei, enquanto ele se afastava e se dirigia ao seu carro. Não fiquei tempo o suficiente para vê-lo sumindo pela estrada. A última coisa que eu precisava era de alguma cena dramática com a qual eu pudesse fazer uma analogia com a minha vida banal.

      Andei pela calçada na direção oposto daquela que Jake ia. Eu não sabia exatamente estava indo, mas esperava que acabasse chegando a algum lugar. Na verdade, a única coisa que eu não queria era ir para casa. Justin já tinha saído para ir à gravadora há muito tempo, entretanto, Lucas ainda estava lá e ele já havia ficado bem irritado em me ver saindo de casa com uma expressão fria. Eu realmente não queria gerar mais conflitos.

     Percorri ruas, virei esquinas, passei por lojas e outras vitrines. Já passavam das 14h da tarde, quando senti o estômago começar a se manifestar, insatisfeito com a minha fome. Não fazia muito tempo desde que eu deixara Jake, mas já fazia horas que eu não comia absolutamente nada. Eu precisava encontrar um restaurante.

     Eu continuava andando para qualquer lugar, quando um grupo de três adolescentes – formado por duas garotas e um garoto – veio em minha direção, aparentemente, bastante afobados. Suspirei, eu não sabia como lidar com aquilo no momento. Não tinha certeza se conseguiria ser agradável o suficiente e, com certeza, não poderia agir de forma grosseira com mais ninguém – principalmente com eles.

     Felizmente, assim que a garota loira chegou, me abraçando, sem aviso prévio, a insegurança passou. Eu não havia percebido antes, mas ao que parecia aquilo era tudo o que eu estava precisando. Ninguém – tirando meu pai e minha mãe – se importaria comigo o tanto quanto eles se importavam. Respirei fundo, retribuindo o abraço da forma mais apertada e verdadeira possível.

     Quando a loira se afastou, sendo “gentilmente” puxada pela garota ruiva, o menino praticamente pulou em cima de mim. Ele deveria ter a minha idade e parecia um tanto quanto sem graça nessa situação, o que me fez ter vontade de pegá-lo no colo e levar para mim. O moreno pareceu hesitar, antes de me soltar e, então seu rosto deslizou próximo ao meu, enquanto ele sussurrava:

      - Você é perfeita!
      - Não tanto quanto você... – falei, igualmente sem graça.

     Notei a ruiva ao meu lado, parecendo quase frustrada por seus amigos terem passado sua frente várias vezes. Sorri, solidária, antes de virar-me para abraçá-la. Deixei que ela prolongasse o momento por quanto tempo achasse necessário, apenas para compensar sua espera. Seus olhos brilhavam, quando ela pareceu afinal satisfeita e tomou distância.

     Sinceramente, achei que depois disso, eles apenas iriam embora, sem olhar para trás, como alguns costumavam fazer, mas não foi bem assim. Ouvi, pelo menos, mais cinquenta elogios – que deixaram minha autoestima muito feliz –, enquanto autografava um bloquinho decorado. Assim, acabei descobrindo que a ruiva se chamava Ashley; a loira, Melissa; e o garoto, Zac.

     - Gostaria de poder ficar aqui com você para sempre... – falou a ruiva, completamente fofa.

     Sorri, sem saber o que responder. A minha vontade era de dizer um “fica”, com a cara mais fofa que conseguia, mas também não queria parecer carente demais. Assim, nos despedimos carinhosamente e então eles se afastaram, me deixando só com a minha melancolia e pensamentos que me deprimiam.

       Quando eles já estavam a uma distância considerável, me recusei a deixar a sensação boa ir embora junto a eles. Com uma mísera pontinha de esperança – e aparentemente, nenhuma de orgulho – avancei alguns passos na direção para qual eles seguiam, achando que talvez se deixariam comover por minha meiguice forçada.

      - Ei, vocês! – chamei.

      A ruiva foi a primeira a virar, estranhando. Ela parecia confusa e, ao mesmo tempo, feliz. Suspirei, enquanto me aproximava mais, ainda receosa se estava ou não fazendo alguma besteira. Mas, se sim, eu não ligava mais.

     - Alguma coisa errada? – perguntou Zac, quando os alcancei.
     - Não, eu só... – hesitei, tentando achar as palavras certas. – Por acaso, vocês estão fazendo alguma coisa importante agora?
     - Na verdade, não. – respondeu, parecendo um pouco ansioso. – Nós estávamos indo para o cinema, mas nós sequer sabemos que filme queremos ver.
     - Hã... Vocês já almoçaram?
     - Não. – falou Melissa, sem graça. – Nós iríamos a alguma lanchonete, após o filme.
     - Então, algum de vocês gostaria de me acompanhar a um restaurante?

     Houve um rápido silêncio entre nós. Os três amigos se entreolharam, parecendo incrédulos. Nesse exato momento, me senti nervosa. Eu não queria receber um “não”. Aliás, a última coisa que eu queria era ficar sozinha. Sim, eu estava mais carente do que queria admitir para mim mesma.

      - Você está brincando, não é? – indagou Ashley.
      - É uma pegadinha, não é? Tem câmeras por aqui... – concluiu Zac.
      - Você não pode estar falando sério. Quero dizer, por que nós? – Melissa mordeu o lábio inferior, quase pulado de animação.
      - Não, eu não estou brincando. Não há câmeras aqui. E, sim, eu estou falando sério. Eu só não gosto de almoçar sozinha e, bom, que companhia seria melhor que a de vocês? – sorri, enquanto falava, satisfeita por ter conseguido um possível “sim”. – Então, vocês sabem onde tem algum restaurante por aqui? Porque, sinceramente, eu não faço ideia!

      Não precisei falar duas vezes e, logo, eles já estavam me guiando pela rua, levando-me a algum lugar que eu desconhecia. Todos pareciam bastante animados, simplesmente por estarem ao meu lado e, para falar a verdade, isso era a única coisa que estava me deixando animada também.

       Após percorrermos mais duas ruas, chegamos a um restaurante de letreiro neutro e simples, que me agradou simplesmente pelo caráter discreto. Ainda assim, logo que entrei, atendentes se prontificaram a vir ao meu encontro, embora parecessem um pouco atrapalhadas e surpresas demais. Tive uma pequena certeza de que não era comum receber pessoas “como eu” – não que eu devesse ser considerada especial, por algum motivo.

     Sentamos em uma mesa qualquer e olhamos os cardápios, enquanto o nosso garçom parecia do tipo prestativo demais. Felizmente, seu incentivo e agilidade ao nos atender, fez com que os meus acompanhantes escolhessem o prato mais depressa. Eu já tinha em mente o que queria comer, mas os três pareciam ter dificuldade de ser concentrar na lista de refeições oferecidas.

       Nossos pratos chegaram rápido, o que me poupou bastante constrangimento. Eles pareciam muito mais falantes do que eu e, na maioria das vezes, não sabia como corresponder isso e acabava por ficar sem graça sempre que tinha que responder algo. Assim, conversar, enquanto comia parecia milhares de vezes melhor, já que eu não precisava ceder informações sempre e podia fazer uma pausa, fingindo estar mastigando. Em geral, estava tudo indo muito bem. A conversa conseguia me distrair de tudo. Ou quase.

        - E o Justin, (Seu Nome)? – perguntou Melissa, despretensiosa.
        - Hã... Ele está bem! – gaguejei algumas vezes e senti vontade de me esconder. – Vocês são beliebers também?
        - Só ela! – a loira apontou para Ashley.
        - Isso porque a Mel é cega demais para ver o quanto o Justin é perfeito! – completou, empolgada.
        - Para mim, o Justin é apenas mais um imbecil! – Zac se intrometeu, pouco satisfeito.
        - Por quê? –franzi o cenho, involuntariamente. – Você é algum tipo de hater ou coisa assim?
        - Não, mas... Se o Justin não existisse, você não teria namorado e, então, eu poderia manter a ilusão de que eu tenho alguma chance. – explicou, rindo.

       “Bom, se ele não existisse, acho que nem estaria aqui...”, pensei, sentindo-me culpada por um minuto.
 
       - Se você quer saber – me forcei a manter um sorriso, apesar dos meus pensamentos desnecessários, - eu provavelmente sou mais sua do que dele!

      Zac sorriu, satisfeito e, eu tentei fazer o mesmo, mas já não estava tão disposta assim. Pedi para o garçom trazer a conta, assim que acabamos e paguei tudo com um cartão de crédito qualquer. Infelizmente, eu ainda podia ver a expressão de desapontamento no rosto de cada um, enquanto nos preparávamos para ir embora do estabelecimento.

      - Então... Eu não sei como pedir isso depois de tudo que você já fez, mas será que nós poderíamos – Ashley parecia mais sem jeito do que de costume – tirar uma foto?
      - Você está brincando? – perguntei, me esforçando para não rir de seu rosto vermelho de vergonha. – Quem vai ser o primeiro?

     Eles disputaram um pouco, mas no fim, chegaram a um consenso. Tirei mais de uma foto com cada um: sorrindo, fazendo careta, beijando o rosto, entre outras. Assim, quando os cliques acabaram, eles me abraçaram em conjunto, antes de se despedirem definitivamente. Embora, eu devesse ficar triste, senti uma leve pontada de alívio, apenas porque eu poderia agir como idiota, sem precisar expor esse meu lado ridículo para ninguém.

    A simples verdade era que eu estava me sentindo bastante estúpida em relação à Justin. Mas isso não significava que eu queria ver o meu orgulho descendo pelo ralo. Embora nossa discussão não fosse de conhecimento geral, a foto ridícula da noite passada, era. Por conta disso, quase me escondi no meio da rua, enquanto digitava o número do meu possível ex no celular, com a paranoia absurda de que alguém estava me observando – o que poderia ser verdade.

    Continuei andando pela beirada da calçada, esperando que passasse algum táxi, mas não estava tendo sorte. A ligação continuava sem ser atendida e eu me perguntei se ele ainda estaria na gravadora. Já eram quase quatro horas e, supostamente, hoje era o último dia, não podia demorar tanto assim. A menos, claro, que ele estivesse com... Ela.

    Um táxi parou próximo a mim, enquanto eu tentava ligar pela segunda vez. Estava cedendo o endereço ao taxista, quando uma voz diferente ecoou no meu ouvido em que eu havia posicionado o celular.

     - Oi, (Seu Nome)! – era uma voz bem mais feminina e calma do que a que eu estava esperando.
     - Hã... Oi! Selena? – perguntei, tentando não parecer exaltada.
     - Sim, sou eu. – falou, com a maior naturalidade do mundo, como se estivesse usando seu próprio celular. – O Justin está dirigindo, então eu atendi. Nós já estamos quase chegando e ele disse que quando chegasse em casa, te ligaria, ok?
     - Tudo bem. Obrigada!

     Não esperei resposta. Eu não podia mais continuar segurando aquele celular, resistindo à intensa vontade de amassá-lo e depois jogá-lo pela janela. Então, agora, ele estava levando a namoradinha para casa dele. Bem, acho que estamos em uma prova de resistência: “Por quanto tempo eu posso aguentar isso, sem bater em ninguém?”. Que os jogos comecem!   

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Capítulo 39, amoras :)

  Seguinte, gatinhas, eu falei que iria postar outro capítulo hoje, mas... Eu escrevi, só que ficou tão mais ou menos, que eu prefiro endireitar e postar algo mais decente amanhã, ok?
  Paciência e boa noite!
  Espero que tenham gostado!

(A imagem do post é da harry's pygmy puff)

24 dezembro 2012

Feliz Natal!





  Boa noite, princesinhas :)
    E aí? A mesa já está pronta? O pisca-pisca já está ligado? Os presentes estão debaixo da árvore? Seus parentes já estão todos aí? Algum tio já fez uma piada da qual só ele ri? ... Seu coração já está cheio de amor e felicidade para dar e vender?
    Pois é, então é Natal! (Sim, para mim, já é Natal. Dia 24 e 25 é uma data só hahahaha)
    Sinceramente, eu não tenho nada a dizer que não vá parecer clichê e vocês sabem bem como eu odeio isso, não é? Hahahahaah, mas vamos lá!
    Tudo de melhor para vocês e suas respectivas famílias nesse final de ano e data tão especial, ok? Agora é aquela hora em que afastamos todas as frustrações, mágoas e qualquer outra coisa negativa que carregamos ao longo do ano e deixamos um espaço limpinho em nosso coração. Espaço esse que será preenchido com os melhores sentimentos do mundo. Tudo o que você considerar bom deverá estar em seu coração agora, para que você possa compartilhar tal sensação com todos aquele que você ama...
     E eu espero que toda a minha animação e positividade também esteja chegando aos coraçõezinhos de vocês agora. E que, talvez - só talvez - isso faça com que vocês sintam que pelo menos por um segundo eu estou abraçando todas vocês... Porque é exatamente isso que eu estaria fazendo se pudesse agora! :)

Eu amo vocês lindas! :)

    

3. You Make Me Love You - Capítulo 38


Acidente, é?



Belieber's POV

   
Surpreendentemente, me senti desconfortável ao acordar e notar que Justin estava deitado, jogado para o outro lado da cama e, não em cima de mim, como costumava ser. Chequei o despertador – que ainda permanecia no chão, após ser derrubado por meu namorado furioso na noite passada –, que me informava ainda ser bastante cedo. Sem vontade, me levantei, cambaleando e me sentindo completamente tonta. Minha cabeça latejava de dor, enquanto eu tentava me manter acordada.

     Com a consciência de que teria o exame hoje, a última coisa que eu precisava era experimentar a sensação de que meu crânio explodiria a qualquer momento. Assim, abri a minúscula gaveta da mesa de cabeceira e peguei um comprimido para dor de cabeça. Esforcei-me para achar disposição para sair do quarto e ir pegar um copo d’água. Demorei bem mais que o necessário apenas para chegar às escadas.

      Ao passar pela sala de estar, notei a televisão ligada e, então, Lucas, deitado sobre o sofá, mexendo no seu notebook aparentemente novo. Ele estava tão distraído com qualquer coisa que estivesse vendo, que nem se deu ao trabalho de notar meus passos pesados e arrastados até a cozinha.

    Quando afinal peguei um pouco de água e tomei o remédio de gosto amargo, decidi que o melhor a fazer era me manter distraída da dor iminente. Peguei um livro de receitas e o folhei, pensando no café da manhã e, por fim, acabei escolhendo fazer um bolo de coco. Separei todos os ingredientes e utensílios necessários. Em geral, eu sempre fugia de ter que cozinhar doces – exceto brigadeiro –, mas o desafio parecia reter meu foco por tempo suficiente.

      Precisei treinar a minha curta paciência, enquanto esperava o bolo assar. Durante esse tempo incrivelmente longo, desejei que Lucas tivesse reparado a minha existência e viesse atrás de mim, apenas para que eu tivesse alguém para conversar e me distrair. Mas, ao invés disso, ele continuava no outro cômodo, completamente absorto no seu mundo online.

     Após quarenta incontáveis minutos – que passei folheando as páginas do livro de receitas – o bolo estava finalmente pronto e eu o retirei do forno, utilizando uma daquelas luvas bregas de cozinhar. Segundo o teste do garfo, o bolo estava no ponto certo, o que me deixou bastante satisfeita. Assim, deixei o primeiro sobre a bancada para poder esfriar, enquanto terminava de arrumar a mesa.

     Ao afinal acabar, segui novamente para a sala de estar, ansiosa para perturbar Lucas um pouco. Aliás, agora, ele havia mudado de posição. Estava sentado com as pernas dobradas em cima do sofá, ainda mexendo em seu computador, enquanto praticamente se debruçava sobre o mesmo. Eu não me encontrava em condições de repreender ninguém, mas aquele garoto já estava ficando mais viciado que eu.

     - Lucas! – berrei, me aproximando por trás.

     Rapidamente, ele pulou no sofá, parecendo assustado. Ia começar a rir de sua reação exagerada, quando notei meu amigo fechar o notebook em um piscar de olhos. Estava aparentemente claro que ele estava escondendo alguma coisa de mim e para isso acontecer só podia ser algo muito importante ou muito idiota.

     - O que você estava vendo? – perguntei, tentando parecer natural.
     - Hã... Esse filme que está passando na televisão, oras. – ele se embaralhou com as palavras, deixando absolutamente claro que estava nervoso.
     - Primeiro, isso é uma série! – apontei, paciente. – E, segundo, eu estou perguntando sobre o que você estava vendo aí, na internet...
     - Ah, nada demais! – desconversou, por fim, segurando o aparelho a uma distância considerável de mim.
     - Ah, Lucas, me deixa ver... – miei.
     - Não era nada, (Seu Nome)! – ele suspirou, mas ainda parecia desconfortável com a situação.
     - Hum... – fiz uma pausa para analisá-lo. – Não vá me dizer que estava vendo pornografia na internet, safadinho!         
     - (Seu Nome)! – ele me fitou incrédulo. – Eu não assisto sexo, eu faço sexo. Apenas.
     - Nossa, como você é grosso!
     - Já viu? – suas sobrancelhas se arquearam, enquanto ele sorria sarcasticamente para mim.
     - Meu Deus, você é muito idiota, garoto!

      Aproveitando a pequena distração do Lucas em agir como o retardado que é, aproveitei para pular em cima dele e tentar pegar o notebook. Se estivesse em um estado normal, ele provavelmente acharia um jeito de me fazer cair ou até mesmo de imobilizar, mas Lucas estava distraído demais para notar o que eu faria, então, foi até fácil conseguir ter o pequeno computador em mãos.

     - (Seu Nome), me dá isso! – pediu, sério.
     - Qual o problema, Lucas? O que pode ser assim tão...

     Minha voz sumiu ao entender sobre o que se tratava. Havia uma única página aberta, uma dessas de e-mail em que aparecem as últimas notícias sobre política, esportes, economia e famosos. Hoje, uma das principais manchetes sobre o último assunto era sobre Justin. Sobre Justin e sua ida a um restaurante com Selena, na noite passada. Para complementar, antes do texto da notícia, havia uma foto. Ou melhor, “a” foto. Foto esta em que meu ex-namorado estava com os lábios nos de sua “colega de trabalho”.      

      Deixei o computador “cair” no chão, propositalmente. Precisei respirar fundo algumas dezenas de vezes, antes de convencer a mim mesma a não pegar uma faca e cravá-la no peito de alguém. Eu não estava em condições de agir por impulso ou de ser presa.

     - Eu vou comprar outro para você, Lucas! – informei me referindo ao aparelho agora no chão, antes de virar as costas para ele.
     - Não, (Seu Nome)... – ele me segurou pelo pulso, me obrigando a parar. – Deixa que eu resolvo isso!
     - Pelo contrário, você vai ficar aqui. – falei, embora minha voz falhasse diversas vezes. – É meu problema, então, por favor, me deixe resolver sozinha, ok? Por favor, não faça nada...

    Ele pareceu bastante insatisfeito, mas assentiu, por fim. Sem vontade de continuar a me manter falsamente calma, me dirigi às escadas depressa. Não consegui evitar pisar em cada degrau com uma força absurda, quase machucando os pés, enquanto o fazia. Ainda assim, eu não parei. Estava irritada, frustrada e me sentindo definitivamente idiota por ser tão... Idiota.

     Quase arrombei a porta, quando entrei no quarto, o que acabou assustando Justin. Ele já estava acordado e arrumava a cama, o que era bem incomum. Quando ouviu minha entrada dramática e furiosa, ele virou-se rapidamente para mim e me fitou insistentemente buscando respostas para o meu comportamento. Como se já não soubesse...
  
     - Algum problema? – perguntou, inseguro.
     - Nada... – suspirei, tentando aparentar indiferença. – Nada além do que eu esperava!
     - Então, o que foi aquilo? Problemas com a porta?
     - Provavelmente...
    
     Justin me analisou por longos minutos e eu sabia que ele não estava conseguindo identificar nada de diferente. Ele parecia bastante desconfortável com isso, mas ainda assim, arriscou vir em minha direção. Assim que ele deu o primeiro passo, eu recuei um pouco para trás. Embora eu realmente não quisesse ser óbvia, manter distância era mais do que necessário nesse momento, já que se ele chegasse perto demais, eu provavelmente acertaria um soco em seu rosto perfeito.

      - (Seu Nome), qual o problema? – voltou a perguntar, sério.
      - Vou te dar apenas uma chance de me dizer qual o problema aqui... – desafiei.
      - O quê? Espera. Eu não sei do que você está falando.
      - Então você realmente não pretendia me contar? – sussurrei, falando mais comigo mesma do que com o próprio Justin.
      - Contar o quê? (Seu Nome), será que você poderia ser mais clara?
      - Contar que você é um idiota, babaca, imbecil, falso, canalha...

      Antes que eu pudesse me dar conta do que estava fazendo, já havia avançado para cima de Justin e dado um belo empurrão – nem tão grande assim, porque minha força não era muita, comparada à dele. Já estava prestes a continuar, lhe dando uma tapa na cara, quando ele segurou meus braços com força, impedindo-me de ceder as minhas vontades. Os olhos de Justin ardiam nos meus e eu quis berrar de raiva.

      - O que eu fiz agora? – suas mãos se apertaram em meu braço, enquanto ele falava.
      - Justin, me solta agora, antes que eu cuspa na sua cara. – ameacei.

      O idiota arqueou as sobrancelhas, duvidando de mim, mas eu não me importei. Continuei a encará-lo com a expressão mais vazia que já se conservara em meu rosto. Ele afinal pareceu perceber que eu não estava simplesmente blefando e, então, suas mãos se afrouxaram até que ele finalmente tivesse me soltado por completo. Justin chegou a dar um pequeno passo para trás, tomando distância.         

      - Como você pode pensar que eu não ficaria sabendo do seu jantarzinho romântico com a miss Selena Gomez, hein? – continuei, sem me abalar.
      - Foi um jantar entre amigos! – falou, frio.
      - E desde quando você beija seus amigos?
      - Foi... Um acidente!
      - Ah, um acidente? – perguntei, irônica. – E você espera que eu acredite nisso?
      - Sim, porque é a verdade...
      - Verdade? Ah, Justin, vai se fu...
      - Se você for completar isso da maneira que eu acho, saiba que eu só vou se for com você... – me interrompeu, com um falso sorriso no canto dos lábios, que quase me fez pensar, por um minuto, que eu estava conversando com Lucas.

    Embora não fosse a intenção, seu senso de humor só me deixou com ainda mais raiva. Afinal, eu não estava discutindo por uma bobeira ou por prazer. Eu estava gritando e explodindo para tentar fazer o meu coração parar de arder como se estivesse sendo picotado, enquanto meu cérebro me lembrava a cada segundo o quão idiota eu era.

     - Por que você faz isso? – comecei, sentindo a sensação de segurança se dissipando. – Quando eu te conheci e vi aquela foto da Selena que você guardava consigo, você veio com um papo enrolado sobre relacionamentos. Mas... E agora? Por que você não consegue admitir para si mesmo que nunca vai ser capaz de superá-la? Por que você prefere brincar com as pessoas, hein?
     - Então, você realmente acha que eu passei quase três anos brincando com você?

     Logo que Justin voltou a olhar para mim, meu coração vacilou. Seus olhos estavam completamente úmidos e, então, ele piscou, fazendo a primeira lágrima cair. Fechei os olhos e pedi mentalmente para ser forte, mentindo dizendo que era só fingir que não estava acontecendo. Mas isso era mais do que eu podia aguentar. Ainda sem ver, meu corpo todo estremecia sempre que eu sentia que uma nova lágrima caíra.

      Não faça com que eu me comova, agora.

     - Quer saber? – falei, juntando toda a pouca raiva que ainda restara – Para mim, tanto faz. Você faz o que quiser!
     - Ei. O que você quer dizer com isso? – indagou, avançando um pouco em minha direção.
     - Quero dizer que eu realmente não quero me estressar agora. Eu já cansei de me importar com o que você faz ou deixa de fazer.

     Não esperei por mais perguntas. Pelo contrário, aproveitei sua falta de reação e sai, rapidamente, pela porta. No minuto que me vi longe de Justin, quis chorar, berrar e desaparecer, mas continuei a me controlar. Lucas ainda estava em algum lugar da casa e ele era a última pessoa que eu queria que me visse daquele modo. Com a mísera esperança de ficar sozinha, corri para o meu quarto, logo ao lado.

     Ao fechar a porta do cômodo, silenciosamente, me agachei no chão, sentindo-me perdida. Enquanto desabava de chorar, tentei convencer a mim mesma de que havia agido da forma correta, mas apesar disso não era bem assim que eu me sentia. Na verdade, parecia que aquilo tudo só havia piorado as coisas. Às vezes, o fato de Justin demonstrar ter um coração era realmente doloroso. Tudo seria mais fácil de ele fosse apenas mais um desses garotos largados por aí, que agem sempre como pedras.

     Por favor, Justin, não me deixe mais manchar seu rosto com rastros de tristeza...

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Capítulo 38, amoras da minha vida :)

   Fiquei até triste de ter que postar esse capítulo triste em plena véspera de Natal hahah
  Desculpem, princesas :c
  
Mas, enfim, respondendo aos comentários de vocês:
  - Stephanie, awn, você é sempre uma perfeita. E, sim, o Lucas voltou para botar um pouco de lenha na fogueira rs rs rs Enfim, fica tranquila, amora, seu comentário vale por uns 100 :)
  - Leh, eu vi que você conversou com a Quel, mas ainda não vi lá no blog. Enfim, vou dar uma olhada com certeza. Sucesso para você, minha bebê :)
  - Luiza, para você só digo uma coisa: Lucas não é abusado! Não é! Não é! Hahahah, enfim, princesa, espero que com o celular novo eu te passe a ver muito por aqui, minha trenzinha :)

  Enfim, espero que tenham gostado do capítulo, lindas!

23 dezembro 2012

3. You Make Me Love You - Capítulo 37


Tocando a campainha



Belieber’s POV


  
Cheguei em casa extremamente cansada. Me arrastei da porta para o sofá e desabei. Já estava de noite e eu realmente esperava que Justin já tivesse chegado, mas minha esperança fora em vão. A casa ainda permanecia vazia. E, para falar a verdade, eu não me sentia nem um pouco surpresa.

   Em meio ao silêncio contínuo, me assustei ao ouvir o celular tocar dentro da minha bolsa. Revirei-a, buscando pelo primeiro e hesitei ao olhar a pequena tela. Era uma mensagem de Jake. Gelei ao pensar nas inúmeras possibilidades do que poderia estar dizendo, antes de finalmente abri-la:

    “Estudando?
      Hey, adorei o seu trabalho e já tenho até um exame pronto para você. Estava pensando... Você queria acabar logo com isso, então, por que não o realizamos amanhã?"


     Não tive coragem de continuar a ler, completamente paralisada de medo. Eu sequer havia lido novamente o trabalho, depois de enviá-lo. Mas, ainda assim, eu não podia passar esse compromisso, já que, segundo o resto da mensagem, Jake já havia fechado um cybercafé – além de ter feito isso com a parte do meu conquistado dinheiro, que estava em sua posse para “fins educacionais”.

     Suspirei, me sentindo esgotada. Sem muitas opções, mandei outra mensagem, confirmando, enquanto me sentia profundamente idiota. Desanimada para qualquer outra coisa, levantei do sofá e me coloquei à caminho do quarto de Justin, chegando ao seu banheiro.

      Sem perder tempo, me despi e entrei no boxe. Liguei o chuveiro e tomei um banho bastante rápido. Minutos depois, livre do suor e de qualquer outra coisa, enchi a banheira e aproveitei a mesma para relaxar, após despejar algumas gotas de uma cheirosa loção própria, na água. Eu não era uma pessoa muito à favor de banheiras, mas precisava admitir que elas eram profundamente relaxantes em situações como essa. Me senti infinitamente infeliz ao pensar que teria que sair dali. Afinal, apesar de tudo, ainda havia um arquivo salvo no meu notebook, que precisava ser lido e estudado detalhadamente.

     Saí da banheira e retirei o fecho que impedia a água de escapar pelo ralo. Em seguida, sequei meu corpo e vesti um pijama de seda, que me deixava milhares de vezes mais confortável do que a produção que eu usara antes.

     Ao sair do banheiro, me senti um pouco – bem pouco – mais renovada e tentei manter a paciência e bom humor, enquanto pegava o notebook em meu quarto e retornava para o cômodo do meu(?)  namorado. Assim que me sentei em sua confortável cama, me esforcei para me concentrar em minha própria monografia. Acabei por me surpreender em notar que eu compreendia a maior parte do que havia escrito.
      
    Já era a segunda vez que lia a mesma coisa, quando ouvi o barulho da campainha. Bufei, impaciente. Obviamente, era Justin, porque ninguém mais chegaria à porta sem passar pelo portão principal e, não dava para passar por este sem tocar o interfone ou – caso fosse algum assassino ou maluco do parque – sem despertar o alarme de segurança. A questão então era: O que Justin estaria fazendo? Por que ele simplesmente não entrava? Teria perdido a chave? Ou melhor, não era para ele estar de carro?

     Resmunguei para o vento, enquanto saia do cômodo e descia as escadas. O caminho até a porta pareceu incrivelmente longo e eu pensei seriamente em desistir e deixar meu namorado dormir lá fora mesmo, afinal, ele até que merecia. Mas algo em mim – uma parte bem idiota, na verdade – me incentivou a continuar.

     Por um minuto, hesitei ao tocar a maçaneta, ignorando o fato de que a campainha continuava a ser tocada insistentemente. Afinal, afastei aquela estranha sensação de mim e abri a porta. Foi instantâneo. Assim que eu me deparei com que estava lá fora, meu queixo caiu, enquanto os olhos começavam a ficar úmidos, sem a minha permissão.

     - E então? Vai me deixar aqui fora, pequena?
     - Lucas!

     Eu não consegui mais dizer nenhuma palavra depois disso, apenas o puxei e o abracei da forma mais apertada que conseguia. Aquilo era tudo que eu precisava para fazer o meu dia lixo se transformar em uma noite perfeita, principalmente, porque eu já havia esquecido que o tinha convidado e, mesmo que lembrasse, eu ainda tinha dúvidas se ele apareceria. E no entanto, lá estava ele parado em minha porta. Espera, como ele...?

      - Lucas, como você chegou aqui? – perguntei, enquanto me afastava e o fitava com a cara mais brava que conseguia.
      - Vai mesmo estragar o momento “ah, que saudades de você” com essa pergunta boba? – o loiro fingiu estar incrédulo, quando na verdade apenas queria desconversar.
      - Vou! – respondi, sem me deixar abalar. – Responda!
      - (Seu Nome), você me conhece! Nenhum portão, muro ou cerca elétrica é demais para mim...
      - Você... Não danificou nada, não é?
      - Não... – Lucas pareceu pensar. – Acho que não!
      - Lucas, que saber? Dane-se! – voltei a me encolher em seus braços. – Eu nem acredito que você está aqui...
      - Eu disse que viria, oras!
      - Não, você disse que daria um jeito... – o corrigi rapidamente. – E para falar a verdade, eu cheguei a duvidar de que você conseguiria permissão para deixar o colégio.
      - É... Uma permissão especial. – a voz dele falhou, me deixando com a certeza de que ele aprontara alguma coisa.
      - Vou querer saber o que você fez? – suspirei, já esperando o pior.
      - Na verdade, não. – Lucas ocultou um sorriso, mordendo o lábio. – Só saiba que eu não ficarei por muito tempo, ok?
 
     Assenti, sem coragem de perguntar mais. Eu não precisava perder o pouco tempo que ele ficaria ali com perguntas que as respostas seriam sempre inacreditáveis. Assim, sem enrolar mais, peguei uma das bolsas que ele segurava e incentivei-o a entrar, fechando a porta, em seguida.

    Sem cerimônia, Lucas retirou a mochila das costas e jogou-a na poltrona, antes de se deitar no sofá. Eu nem precisei falar para que ele se sentisse em casa, porque aparentemente ele já estava bastante à vontade. Suspirei, antes de me arrastar para o seu lado e me sentei no minúsculo espaço que ele deixara.

     - Então, o que vamos fazer, hein? – perguntou, por fim.
     - Eu não sei. – eu já tinha algo em mente, mas preferi ser gentil em primeiro lugar. – Você não está com fome? Posso fazer alguma coisa para você, se quiser...
     - Na verdade, não. Eu comi na lanchonete do aeroporto!
    - Então, o que nos resta é fazer uma coisa muito legal, que pode mudar nossas vidas para sempre. O que você acha?- sorri, tentando ser o mais convincente possível.
    - O quê? – Lucas arqueou as sobrancelhas, curioso.
    - Estudar! – berrei, fingindo animação.
    - Você não está falando sério, não é? – ele falou bem pausadamente, enquanto me fitava esperando mais. – Diga que você não me fez vir até aqui para não fazermos nada de interessante...
    - Ah, Lucas, por favor... – miei. – Eu tenho uma prova horrível amanhã. O que custa você me ajudar? Poxa, você acabou de chegar, eu prometo te compensar nos próximos dias...
    - Eu odeio quando você fala assim. – falou entre dentes, enquanto se levantava – Tudo bem. Vamos guardar as minhas coisas e eu te ajudo. Mas, só para deixar claro, isso vai custar muito caro, hein? Prepare-se!

    Ignorei suas últimas palavras e peguei suas coisas, enquanto o puxava escada acima. Deixamos sua bagagem no quarto ao lado do meu e depois seguimos para o de Justin, onde eu havia deixado meu pobre trabalho solitário. Como era de se esperar, Lucas achou um jeito de implicar com cada pequeno detalhe do quarto do meu namorado. Ele falou mal dos desenhos na parede e até do piso, enquanto eu fingia que escutava.

    Eu já até havia me esquecido de como estudar com Lucas era definitivamente diferente. Ele era capaz de fazer graça com cada vírgula que eu colocara e ao, mesmo tempo, fazia eu entender perfeitamente tudo, com analogias incomuns. O tempo passou duas vezes mais rápido do que passaria se eu estivesse sozinha e, logo, já estava tarde demais para continuarmos.

     - Não acha que já chega por hoje? – Lucas suspirou, se jogando na cama.             
     - Com certeza! – concordei, desligando meu pequeno computador.
     - Ótimo! Então, eu posso...

     Antes que Lucas pudesse terminar de falar, o barulho da maçaneta nos assustou. A porta do quarto se abriu rapidamente e lá estava Justin com uma aparência um tanto quanto acabada. Porém o cansaço e esgotamento em sua expressão foi substituído rapidamente por uma de surpresa e, talvez, reprovação. Ele pareceu se esforçar para ocultar isso por um minuto, mas ainda parecia evidente para mim.

     - Hã... Oi! – cumprimentou ele, desconfortável.

     Dava para ver, claramente, a insatisfação de Justin em ver meu melhor amigo no seu quarto e na sua casa. E, como se não fosse o suficiente, Lucas mantinha o olhar mais cínico possível, quase como uma forma de provocá-lo. Em meio a uma discussão mental comigo mesma, cheguei a triste conclusão de que aquilo não daria certo.

     - Bom, agora que seu namoradinho chegou, acho que já posso ir para o meu quarto, já que você tem companhia, não? – Lucas se levantou, antes de me dar um beijo na testa. – Se bem que com uma companhia como esta, melhor seria ficar sozinha...

     Ele não pareceu notar minha expressão de reprovação e apenas sorriu para mim. De uma forma quase inocente, Lucas se dirigiu até a porta, mas – quando eu já estava quase esperançosa que evitaríamos confrontos, por hoje – fez questão de parar no meio caminho, bem onde Justin se encontrava. Embora não desse para ver, eu tinha total certeza que meu melhor amigo idiota estava usando sua expressão mais sarcástica possível.

     - Boa noite! – falou, por fim.
     - Boa noite. – Justin respondeu seco, sem demonstrar alterações.

     Esperei que Lucas saísse do quarto, batendo a porta ruidosamente, e ainda mais alguns minutos, para que a falsa calma de Justin se dissolvesse. E, então, observei em silêncio, enquanto ele pegava uma almofada de sua cama e a apertava contra o rosto. Ainda assim, não foi o suficiente para abafar o grito furioso que veio em seguida. Segundos depois, a pobre almofada voara pelo quarto e acabara por derrubar objetos na mesa de cabeceira do outro lado da cama. Parecia um pouco exagerado, porém melhor do que eu pensei.

    - Por que ele está aqui? – perguntou, irritado.
    - Porque eu o convidei, oras.
    - Sem o meu consentimento?
    - Sim, por quê? Qual é o grande problema agora? – falei, começando a ficar com mais raiva do que supostamente deveria. – Só gostaria de te lembrar que não fui eu quem pediu para ficar aqui. Você ofereceu sua casa, lembra? Mas se você está tão incomodado assim, eu dou um jeito muito mais rápido e satisfatório para você.
    - (Seu Nome), posso saber por que você está sendo tão negativa? Eu só fiz uma pergunta, sabia? – seus olhos se estreitaram, enquanto ele me fitava, incomodado com o meu comportamento.
    - Não, você não fez só uma pergunta... – afirmei, segura do que estava dizendo – Você teve a cara de pau de chegar em casa quase 23h e ainda querer começar uma discussão comigo. E o pior é que você nem percebe o quanto é inacreditável. Sério, Justin, nada no mundo me irrita mais do que voc...

     A frase não foi completa.

     Justin avançou para me beijar em um movimento que durou um segundo. Eu sabia em todas as células do meu corpo que odiava quando ele fazia isso. Era baixo demais usar a única coisa que me fazia parar de pensar para encerrar uma discussão em que ele sabia que não iria terminar bem. Mas, como sempre acontece, não consegui me obrigar a resistir.

     Rapidamente, puxei-o pela camisa e deixei que seu corpo pairasse sobre o meu, fazendo meus sentidos pararem de funcionar. Suas mãos deslizaram suaves pelo meu rosto passando para o meu cabelo e, então, seu toque fazia as coisas voltarem a parecer estarem tudo bem. Mas, pior do que tudo isso junto, era o modo calmo como seus lábios quentes se mantinham nos meus e como sua língua se entrelaçava a minha, em um ato tão receoso, mas romântico que fazia parecer que era a primeira vez que ele me beijava. Aquilo era suficiente para massagear meu coração frustrado e enciumado.

      Deixei que Justin ditasse as regras do nosso jogo até o momento em que um selinho demorado encerrou a maravilhosa sensação em mim. Ainda assim, seu olhar carinhoso se encontrando com o meu fazia parecer que sua alma estaria sempre beijando a minha. Suspirei, incapaz de compreender porque eu deixava essas coisas acontecerem.

      - Melhorou? – ele sussurrou baixinho.
      - Não... – admiti, antes de fazer uma pequena pausa. – Justin, por que você não vai tomar um banho, hein? Você deve estar cansado...
      - Você vai continuar aqui?

      Assenti. Parecendo mais aliviado, ele se levantou de cima de mim e sorriu, antes de se afastar, indo até o armário. Justin pegou duas peças de roupas quase sem olhar e se dirigiu ao banheiro. Ele tentava disfarçar, mas eu sabia que ele mantinha os olhos em mim, em cada passo, desde que se afastara.
    
     Me senti infinitamente mais culpada ao ficar novamente sozinha. Não culpada por ter sido possivelmente grosseira com Justin, mas sim por não ter a capacidade de entender a mim mesma. Ou talvez de não entender como eu e Justin funcionávamos juntos – isso SE funcionasse. Era como se o simples ato de respirarmos machucasse ou incomodasse um ao outro, mas no segundo seguinte, quando nossas respirações se misturavam, tudo parecesse bem de novo. Nós tínhamos a necessidade de discutir, mas isso não significava que quiséssemos que acabasse.

     É complexo demais para mim...

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Capítulo 37, amores :)
    Espero que gostem!

(A imagem do capítulo e da Greengloves)