08 fevereiro 2013

3. You Make Me Love You - Capítulo 51


Discutindo relações alheias...


Belieber's POV


  
Foi um alívio abrir a porta da casa de Justin e encontrar a sala de estar tão conhecida. Eu já estava lá há tantos dias que, provavelmente, consideraria difícil abandonar o lugar, quando chegasse a hora. Tentei me desconcentrar por um minuto, enquanto lutava para afastar o clima nostálgico e melancólico em que estava me enterrando desde que vira meu quarto me lembrando do Brasil.

   Larguei a bolsa sobre a poltrona e corri para as escadas rapidamente. Eu já estava esquecendo completamente que estava acompanhada, quando ao chegar ao segundo andar, ouvi passos atrás de mim. Se fosse em uma situação normal, eu provavelmente enlouqueceria, achando que era algum maníaco do parque, mas, no momento, eu estava crítica demais para não pensar que era Lucas.

   - Pensei que você quisesse vir para casa para ficarmos um tempo sem sentir que estão te observando e não para me ignorar por completo... – miou, dramático.
   - E é esse o plano, cavalheiro! – concordei, rindo. – Mas, talvez, a dama aqui precise de um tempinho para um banho e também para se recompor. Será que você me daria licença para isso?
   - Claro, senhorita!

   Lucas se curvou diante de mim, fazendo uma reverência, antes de tomar a minha mão com cuidado e beijar suavemente as costas da mesma. Sorri com sua atuação barata e, então, ele afinal me deu espaço para que eu entrasse no confortável vazio do meu quarto. Apesar de ser supostamente um lugar reconfortante, não pareceu. Senti falta da cama do Justin, dos móveis dele e da sua decoração, mas parecia errado usar o seu cômodo, enquanto ele não estava lá. E, sem ele, não faria diferença.

   Fechei a porta atrás de mim, imediatamente. Eu só queria desesperadamente tomar um banho e me jogar na cama. Assim, já estava pronta para praticamente arrancar as peças de roupa do meu corpo, quando notei meu celular no bolso de trás da saia que eu usava. Retire-o com cuidado – um cuidado bastante incomum, para falar a verdade –, jogando em cima da cama.

   Já estava prestes a tirar a blusa e correr para o banheiro, quando meu pequeno aparelho telefônico pareceu me chamar insistentemente em cima da cama. Mais especificamente, a culpa estava me chamando de cima da cama. E também um receio de, em breve, ser procurada pela polícia como “artista desaparecida”.

   Peguei meu celular e entrei, rapidamente, no twitter. Eu não sei se era devido a minha melancolia nostálgica, mas era estranho pensar que eu estava há tantos dias sem atualizá-lo, quando, há anos atrás, era onde eu passava grande parte do meu tempo livre, quase sempre perturbando a Manu no FC dela. Este agora nem existia mais, ela o havia excluído – ou a conta havia sido suspensa, desaparecido, não importa – e feito um outro. Mas o que ninguém sabia era que a Manu, belieber maluca e descontrolada que cuida de um FC entre tantos outros, era a mesma Manuela que tinha milhares de seguidores, apenas por ser “melhor amiga da (Seu Nome)”. Isso não é infinitamente estranho?  

   Tentei observar a timeline por algum tempo, mas não estava dando muito certo. A imagem de várias fotos minúsculas seguidas por letras que pareciam se misturar estavam me deixando com dor de cabeça. Ignorei o aviso de que havia centenas de tweets novos, enquanto montava uma forma de pedir desculpar pelo meu sumiço. Não tive tanto sucesso assim...

   “Ei, eu não desapareci! As coisas estão meio confusas ultimamente, mas eu continuo aqui. Eu tenho vocês, certo? :) #aindaamo”

   Suspirei, percebendo o quão patético aquilo parecia. Como eu poderia dizer que continuava ali se já fazia dias que eu não mostrava a cara em qualquer rede social que fosse? Como eu poderia pedir para alguém acreditar naquele conjunto de palavras que eu chamava de desculpa?

   Podia sentir minhas menções se encherem rapidamente, mas não me dei ao trabalho de checá-las. Eu provavelmente acabaria por não enxergar nada e embolar palavras em minha cabeça problemática. Me preparei para abandonar o celular novamente, quando me lembrei de uma pequena coisinha, que realmente poderia custar a minha vida. Aliás, parecia que já custava.

   “E mãe, se você estiver lendo isso, eu estou viva. E eu ainda te amo. Te ligo amanhã. Não enlouqueça :)”

   Minha mãe não tinha um twitter e eu era muito grata por isso, mas eu sabia que ela fazia questão de verificar cada conta minha em qualquer rede social – incluindo meu tumblr, que até hoje eu não sei como ela achou –, pelo menos duas vezes ao dia. Assim, esperava realmente que ela visse meu último tweet e não surtasse dentro de casa. Ou talvez aquilo só servisse para deixá-la mais louca do que já era. Amo a minha mãe, mas a consciência de que ela pode contatar as forças armadas para me encontrarem acaba me assustando um pouco.

   Por fim, abandonei o celular sobre a mesa de cabeceira e me levantei da cama, voltando a minha atenção novamente para o que eu pretendia fazer.s Separei um pijama e me tranquei no banheiro, pronta para um longo e relaxante banho, onde eu com certeza não me importaria se estava ou não sendo esperada por um loiro impaciente do lado de fora.

   Tirei minhas roupas e entrei no boxe. Hesitei, antes de ligar o chuveiro, mas a temperatura agradável da água me fez relaxar rapidamente. Deixei a minha mente vagar pelo meu dia, enquanto lavava o cabelo. Mas, para dizer a verdade, a minha análise parecia um tanto quanto pessimista. Eu tinha conseguido passar um dia inteiro sozinha com Lucas sem cometer um assassinato (e sem ser abusada também). Uma crise de nostalgia me pegou na metade da tarde e, sinceramente, acho que ainda não me largou. E, para completar, o babaca do meu namorado não havia me ligado até agora. Resumindo, uma coisa boa para duas ruins. Talvez a melancolia não viesse só de mim, mas do universo.

   Retirei o condicionador do cabelo rapidamente, ansiosa para encerrar meu banho, antes que eu começasse a chorar ali mesmo. Eu não estava triste a esse ponto, mas ficar de baixo d’água por muito tempo fazia com que eu desenvolvesse algum desequilíbrio emocional, então, era preferível não arriscar...

   Desliguei o chuveiro e sequei meu corpo com tanta pressa que minha pele mal sentiu o toque da toalha. Vesti minha roupa, tentando desacelerar um pouco o ritmo frenético. Só conseguir abandonar a pressa, quando comecei a pentear o cabelo, aproveitando para fazer uma detalhada analise de mim mesma, enquanto a escova passava suavemente por meus fios. De um modo superficial, eu havia mudado bastante nesses últimos anos, mas para ser sincera comigo mesma, eu ainda me sentia exatamente igual. Talvez só a situação estava mudando, não eu.

   Ajeitei a bagunça no banheiro, antes de sair. Eu mal havia fechado a porta do mesmo e quase cedi a vontade de voltar, devido a minha primeira visão do quarto. Lucas já estava devidamente acomodado na minha cama, parecendo completamente confortável, enquanto mexia no meu celular e devorava pequenas balas de gomas de um pote. A televisão – tantas vezes ignorada por mim, assim como o resto do quarto – estava ligada para ninguém.

   Seus olhos estavam tão concentrados no aparelho que me pertencia, que Lucas mal notou quando me aproximei da cama. Encarei-o, por alguns segundos, até que ele afinal olhou para mim. A expressão estava confusa como se eu estivesse cobrando por satisfações que não precisavam ser dadas.   

   - E, então, posso saber o que você está fazendo? – perguntei, cansada daquele silêncio incômodo.
   - Eu coloquei em um canal em que vai começar um filme daqueles de comédia romântica, sei lá, que você gosta... – explicou com uma expressão completamente limpa, enquanto desconversava.
   - Você sabe que não é sobre isso que eu estou falando! – continuei, sem me distrair – Por que está mexendo no meu celular, hein?
   - Ah, nada de mais! Eu estava inocentemente passando por aqui, quando vi seu twitter logado e estou animando algumas pessoas aqui. Será que a senhorita permite?
   - Lucas Barros, o que você está fazendo?
   - Eu já disse... Absolutamente nada! Só estou informando aos seus seguidores como é desaconselhável deixar seu twitter aberto, contando alguns acontecimentos de quando você era menor, dando alguns RTs e respondendo alguns de seus fãs. Apenas isso! – sorriu, calmo. Ele realmente não tinha conhecimento de como aquilo era grave, nos meus conceitos.
   - Você enlouqueceu? – indaguei, perplexa.
   - Não que eu saiba... – sua seriedade me fez hesitar.

   Revirei os olhos, impaciente. Eu sabia que não conseguiria tirar o celular das mãos dele à força, então apenas me joguei na cama, deitando ao seu lado e pegando o pote de balas do seu alcance. Aparentemente, minha reação tranquila não foi tão bem vista quanto eu esperava. Lucas me fitou meio confuso, enquanto eu levava as jujubas até a boca, tentando não me preocupar com o seu pequeno foco de diversão.

   - Você não vai fazer um discurso sobre o quanto eu estou errado e tentar pegar o que resta da sua dignidade da minha mão? – perguntou. As sobrancelhas levemente arqueadas deixavam claro sua incredulidade.
   - Não, porque eu sei que isso só serviria para te deixar mais satisfeito. – sorri, vitoriosa. – Mas, se você não se importar, eu adoraria que você parasse com isso e me entregasse o que me pertence. Você pode estar magoando pessoas assim, sabia?

   Lucas pareceu perdido. Os olhos fixados em mim, buscando respostas para suas dúvidas internas. Permaneci em silêncio, dando-lhe esse tempo extra para seus pensamentos. Antes que eu pudesse perceber, as mãos do loiro se aproximaram da minha, abandonando o meu celular sobre as mesmas. Peguei-o, com cuidado, colocando em seguida em cima da mesa de cabeceira, de onde não deveria ter saído.

   - Só me tira uma dúvida... – ele se manifestou novamente. – Como eu poderia magoá-los se a coisa que eles mais querem é ser notados por você? Era só o que eu estava fazendo. Sem lágrimas, sem dor...
   - Não é isso, bobo! – suspirei, encantada pelo fato de ele tentar me entender – Suas intenções eram boas, eu acho. Mas se eles queriam ser notados por mim e os tweets foram lidos por você, não parece um tanto falso? É quase como se eu os estivesse iludindo... Eu não quero ser mais relapsa do que já sou!
   - Relapsa? Você? – Lucas arfou, sem dá créditos as minhas palavras. – Sério?
   - É... Quero dizer, algumas vezes parece que eu não dou a atenção que eles merecem. Por exemplo, nos últimos dias, eu sumi do twitter e eles sentem essa falta! – disparei, quase atropelando as palavras. Era um pouco difícil falar aquilo em voz alta, então quanto mais rápido eu dissesse, menos estranha eu me sentiria.
   - (Seu Nome), você está bêbada? – indagou, sério. – Não é possível que você pense isso apenas por detalhes. Você é uma das pessoas desse meio que mais dá atenção aos fãs. Eu quero dizer... Quantos artistas levam os fãs para almoçar? Ou fica conversando com um grupo deles, antes de ir embora do local do show?
   - Não é sobre isso que eu estou falan... Ei! Como você sabe sobre essa conversa após o show?

   Gelei. Eu não esperava que isso tivesse chegado ao conhecimento de outras pessoas. Aliás, não tinha sido um dos meus melhores momentos. Então saber que isso tinha chegado a se tornar notícia em algum lugar poderia ser descrito como humilhante. Se tivessem fotos do acontecido, talvez eu nunca mais saísse de casa.
 
   - Bom, eu vi em um dos seus fansites, como sempre! – a voz de Lucas me tirou dos meus lamentos internos.
   - Droga! – choraminguei baixinho.
   - Eu não quero parecer fofoqueiro, mas... – ele claramente reprimiu um riso antes de continuar. – Você não chorou apenas porque estava emocionada com seus fãs naquele dia, não é?

   Respirei fundo, deixando que recordações da situação que acontecera há meses atrás tomassem minha atenção por completo. Quis morder os lábios ou talvez morder a língua até não poder mais falar, apenas para não soltar a verdade. Mas não adiantaria. Não com Lucas. Ele me conhecia o suficiente para ter feito aquela pergunta, aliás, me conhecia o bastante para já saber bem a resposta.

   - Na verdade, não. – engoli a saliva, junto com o meu orgulho. – Eu estava meio que desabafando com eles. Antes que você ria de mim, eu estava meio chateada nessa época, porque eu tinha terminado com o Justin. Então, eu estava me preparando para ir embora, completamente esgotada do show, quando esse pequeno grupo venho até mim. Eles estavam meio histéricos e meus seguranças fizeram menção a afastá-los, mas eu não recuso autógrafos ou abraços, então os dispensei. Só que o grupinho percebeu que eu não estava legal e, antes de se darem por satisfeito com uma assinatura ou alguma foto, eles insistiram em saber se estava tudo bem. Eu não pude mentir para eles e acabei soltando a história toda!

   Eu estava tão perdida em minhas próprias lembranças que demorei a notar o modo como Lucas olhava para mim. Seus olhos brilhavam nos meus e, se eu tivesse que deduzir, diria que aquilo era uma pequena pontada de orgulho. Embora não soubesse exatamente de quê, era isso que parecia. Foi o suficiente para me confortar um pouco.

   - Sabia que é lindo você contando isso? – sussurrou baixinho, deslizando os dedos pelo meu cabelo jogado sobre o travesseiro. – Você realmente acredita neles, como se conhecesse todos há anos!
   - E não deveria? Pense bem, eu contei isso a alguns deles há meses e você só veio ficar sabendo agora. Se eu tivesse feito com outras pessoas, muito provavelmente meu pequeno coração partido já estaria em muitos noticiários por aí... – sorri involuntariamente – A verdade é que, quando eu estou viajando, eles são a única base em quem eu posso me apoiar. Quer dizer, eu não posso apenas ligar para a Rihanna e dizer “Ei, Ri, eu preciso de conselhos. Tem um tempo?”. Até porque eu nem sou tão próxima dela assim... Talvez eu devesse tentar a Taylor Swift!

   Lucas riu da minha brincadeira e eu, da sua risada. O som do seu divertimento era tão comum para mim que eu não poderia deixar de achar lindo.

   - E até as pessoas que eu confio, como Justin, Demetria e... Até a Taylor, são meio difíceis de procurar nessas horas. Eu me sinto meio mal de incomodá-los, afinal, todos eles já tem seus próprios problemas e, em geral, estão ocupados com o próprio trabalho. – meu tom pareceu um pouco lamentável demais e eu me esforcei para que minhas palavras parecerem menos piegas – E, quanto a você e a Manu, são sempre em quem eu penso primeiro, mas... Eu também tenho que pensar no fuso horário, nas horas das aulas! É complicado...
   - Acredito! – a voz de Lucas pareceu mais repreensiva do que compreensiva, de fato – Mas você sempre pode ligar para mim. Não importa onde ou quando, é só ligar e eu vou estar lá pra você!
   - Você não tem ideia de como eu senti sua falta!

   Abracei Lucas apertado, me aninhando suavemente a seu corpo. Eu já poderia sentir uma leve faísca de carência me atingindo lentamente. Mas a sensação foi diminuindo sozinha à medida que o loiro retribuía o abraço de forma protetora. Embora a sensação fosse uma das coisas que eu mais sentia saudade em relação a ele, eu não queria usá-lo para preencher a falta de Justin. Seria errado com os dois.

   - Eu senti sua falta também, pequena!

   Epa.

   O seu sorriso não foi suficiente para me distrair da verdade assim como ele pretendia. Eu tinha certeza absoluta – ou talvez paranoia excessiva – de que aquelas palavras eram apenas uma gentileza. Superando a vontade de socar a cara dele, me sentei na cama, escapando do seu abraço. Eu deveria me lembrar de ser um pouco menos óbvia, mas já era tarde demais quando eu pensei nisso. Minha expressão já estava fechada em um bico insatisfeito e eu estava matando Lucas em minha mente.

   - Sentiu nada! – resmunguei. – Você estava ocupado demais com a Miss Canadá para poder se lembrar da minha existência...
   - (Seu Nome) se eu não te conhecesse bem, diria até que está com ciúmes. – ele fez uma pausa para respirar profundamente – Ah, não. Você está!
   - Não estou com ciúmes! – bufei, irritada.

   Cruzei os braços diante de mim, impaciente, enquanto encarava a televisão, me sentindo frustrada. No filme romântico que começara a pouco, a mocinha já havia conhecido o amor da sua vida e não sabia disso. Era tão absurdamente clichê que não serviu para prender minha atenção. Por trás da minha raiva e suposta indiferença, eu podia ouvir a respiração calma de Lucas atrás de mim, assim como podia notar que ele se esforçava para não rir. Fiquei esperando durante longos minutos até que ele falasse alguma coisa em sua defesa, porém não aconteceu. Ao invés de palavras, seus braços fortes se apertaram em volta de mim por trás. Aquele era um golpe indescritivelmente baixo, mas, aparentemente, muito funcional. A irritação se dissipou depressa e meu coração amoleceu.

   - O ciúme cai tão bem em você, pequena... – sua voz era um sussurro de provocação.
   - Um olho roxo também fica ótimo em você, mas nem por isso eu estou te batendo... – ameacei indiretamente – Ainda.
   - Vai me dizer o que te incomoda tanto? – perguntou, ainda baixinho.
   - Eu não sei... – admiti. – Por que ela, hein?
   - (Seu Nome), você nem a conhece!
   - É, mas eu sei que eu não vou gostar, porque ela está tirando você de mim... – me arrependi de tais palavras logo após dizê-las. Era patético. – Se você quer saber, eu preferia muito mais aquelas oferecidas com que você ficava sempre.
   - Ei, elas não eram oferecidas... Eram garotas mais fáceis que as outras, apenas isso!
   - Garotas fáceis? – arfei, perplexa. – Caso você não lembre, você já ficou comigo... Não do jeito convencional, mas já aconteceu. Então, está me chamando de fácil também, seu corno babaca?
   - Deixa de ser boba, garota! – o riso dele foi baixo e rápido. – Você é praticamente a coisa mais complicado que a vida já me deu. O enigma mais chato e insuportável que eu já vi. Mas, talvez por isso, seja a coisa mais difícil de apenas pensar em perder ou deixar para trás. Isso seria completamente impossível.
  
   Os dedos de Lucas deslizavam delicadamente por meu braço, enquanto ele falava. Sua voz pausada fazia com que as palavras entrassem na minha cabeça e fossem repetidas internamente. Hesitei ao sentir sua mão afastar meu cabelo para o lado e, em seguida, sua respiração bateu em minha nuca, fazendo com que eu me arrepiasse. Eu não tinha certeza se ainda estava lúcida, quando seus lábios tocaram meu pescoço.

   Uma parte de mim – possivelmente uma parte descompromissada – quis virar imediatamente e permitir que a boca dele pairasse sobre a minha. Essa parte não tinha receio em cravar minhas unhas sobre a pele do loiro e se libertar para safadezas. Mas uma parte ainda maior mantinha o nome de Justin em minha mente a cada batida do meu coração. A cada intervalo que o último bombeava sangue para o meu corpo, bobeava também a saudade, que apertava, mas era a certeza de que eu não faria nada.

   - Lucas... – miei, repreendendo-o.
   - Eu sei, eu sei! – suspirou. – Você tem um namorado, você o respeita muito e blá, blá, blá... Não é isso?
   - Exatamente! Além disso, o foco dessa conversa é você e sua paixãozinha nova. Não tente me distrair, ok?
   - Eu não estava tentando te distrair! – continuou, aparentemente indiferente. – Mas se você quer tanto assim continuar a falar sobre isso é o que vamos fazer, embora você saiba que tudo isso que você está sentindo, eu sou obrigado a passar pelo mesmo... Todos os dias. Principalmente, nesses últimos.
  
   O ar escapou de meus pulmões, junto com as palavras que estavam em minha cabeça. Para falar a verdade, eu sabia o que queria dizer, mas também já estava cansada de me humilhar indiretamente. Pensei em todas as combinações de orações e períodos possíveis para dizer a mesma coisa e não fez diferença. Talvez eu não tivesse ainda muita dignidade para manter, então desisti.

   - A última coisa que eu quero é que você se machuque... – comecei, sem jeito – Mas eu não consigo evitar me sentir desconfortável com essa situação. E... Dói quando você fala dela. Parece que meu coração incha de cólera. Eu não gosto disso. Aliás, eu nem sei lidar com isso!
   - Eu sei que machuca, pequena, mas eu vou cuidar de você... Sempre!

   Lucas sorriu para mim e eu fiz o mesmo, enquanto seu abraço se apertava ao meu redor. Me encolhi sobre o calor de seu corpo e ele pareceu notar que eu estava gostando da proximidade. No filme na televisão, a mocinha afinal dava o primeiro beijo no amor da vida dela, antes que eles descobrissem que não seria tão fácil ficar juntos para sempre. Na minha vida, não havia beijo ou “juntos para sempre”. Mas eu, afinal, estava sendo resgatada pelo super homem.   
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Capítulo 51, minhas lindas :)
  E eu vou dedicar esse capítulo às minhas primeiras #TeamLucas, a @JBdocinhodcoco, @opsbrigadeirow e @it_Stephanie_. Eu espero que estejam gostando desse climinha fofo entre eles!
 
  E eu espero que todas vocês votem na enquete aí do lado e decidam qual relação de amizade te agrada mais, a com o Lucas ou a com a Manu (que está sumida, né? Mas relaxem!)
  Enfim, espero que tenham gostado do capítulo!

(A imagem do post é da PiCTURE)

05 fevereiro 2013

3. You Make Me Love You - Capítulo 50


Casa nova, sensações antigas...


Belieber's POV

  
Passar o dia com o Lucas só resultou em mais dor de cabeça!

   O loiro estava visivelmente chateado comigo e eu me perguntei se ele tinha sérios problemas para controlar seu humor imprevisível. Ele resmungou durante todo o percurso até a casa, resmungou ao passarmos pelo jardim ainda simples e desgastado e continuou a reclamar, enquanto visitávamos cada cômodo – que, sinceramente, ficaram melhores do que eu esperava. Nem o número de andares escapou do seu mal humor. Uma prova de que eu tenho muitos motivos para achar que a solidão está deixando meu melhor amigo completamente amargo.

   Me certifiquei de ignorá-lo, enquanto passávamos por um dos cômodos em que eu havia depositado todas as minhas expectativas possíveis. E, no entanto, lá estava ela, uma sala maravilhosamente recheada dos mais variados instrumentos, inclusive alguns que eu nem fazia tanta questão. Eu já estava começando a fazer milhares de planos para passar todos os meus segundos disponíveis trancada ali, esquecendo-me do mundo, quando fui “carinhosamente” arrastada até o corredor, novamente.

   - Melhor continuarmos vendo o resto da casa, não? – falou Lucas, ainda me arrastando, enquanto se dirigia ao decorador.

   Foi até bom ele ter me lembrado de que não estávamos sozinhos ali. Afinal, se não fosse por esse pequeno detalhe, talvez eu não tivesse agido tão naturalmente, quando a minha real vontade era de fazer Lucas rolar, “acidentalmente”, as escadas. Porém, a imagem da manchete “cantora adolescente tem surto psicótico e tenta assassinar o melhor amigo” me fez mudar de ideia.

   Tentei me distrair, enquanto era levada até o meu quarto. A porta não tinha qualquer tipo de identificação pela qual eu pudesse saber que me pertencia – exatamente como eu recomendara – exceto por um pequeno detalhe com a minha cor preferida na maçaneta. Embora soasse bobo, hesitei antes de entrar.

   No quarto, tive um pequeno choque interno, me esforçando para permanecer séria e controlada por dentro. Eu tinha me focado muito em dar as recomendações corretas para que ficasse como eu havia imaginado. Assim, quando eu pisei nos limites do novo cômodo foi como se eu estivesse entrando no meu cantinho no Brasil. Estava muito parecido com o meu quarto na casa dos meus pais, exceto por ser um pouco maior e também pela cama de casal. Mas os móveis, em geral, se assemelhavam muito, embora fossem de melhor qualidade – para me poupar o trabalho de ter que ficar trocando com tanta frequência.

   Corri os dedos pelo lençol macio, suspirando. Ver aquilo tudo tão arrumadinho me dava uma crise de nostalgia terrível. Embora parecesse uma cópia – nem tão idêntica – do meu refúgio por tantos anos, ainda não estava completo sem as pessoas necessárias. Para dizer a verdade, acho que estou sofrendo uma crise de abstinência de Manuela. Afinal, como eu estou aguentando viver tanto tempo sem a pessoa mais atrapalhada, carente, histérica e maluca do planeta?       

   Desviei meus olhos até o pequeno quadro de cortiça. Embora pudesse parecer meio brega, eu gostava e já estava imaginando as milhares de fotos que eu pregaria ali. Fotos essas que provavelmente me fariam ter um acesso de choro, todas as manhãs. Algumas pessoas chamariam isso de masoquismo, mas é só saudade.

   - E então, essa caminha de casal é para quando seu namorado pedófilo vier te visitar? – sussurrou Lucas, bem perto de mim.
   - Você não se cansa disso, não? – perguntei, começando a sentir a paciência se esvair.
   - Para dizer a verdade, não.
   - Ótimo! Eu tenho uma coisa para te mostrar... – suspirei – E do fundo do meu coração, espero que isso te faça calar um pouco a boca!

   Dando as costas para o loiro, me dirigi ao decorador atrás de nós, usando um registro de voz baixo, tentando ainda manter o meu segredo. O homem – ao qual eu só me dirigia por “senhor” – sorriu brevemente, antes de, segurando a porta para mim, fazer um gesto para que eu seguisse na frente. O cavalheirismo não morreu, afinal.

   Apenas alguns passos depois e, nós paramos em frente a uma porta como todas as outras. Ansiosa, não hesite em abri-la e pedi para que Lucas entrasse primeiro, seguindo-o. Pedindo licença ao nosso educado guia, fechei a porta logo atrás de mim para evitar qualquer reação exagerada ou mesmo desagradável. Afinal, eu nunca sabia o que esperar do meu amigo.

   - E então...? – indaguei, sem conseguir esperar.

   O silêncio se fez presente por um longo minuto, enquanto Lucas parecia analisar o quarto. De um modo crítico, poderia ser considerado como outro cômodo qualquer. A decoração azul e branca, uma cama de casal no centro, móveis em seus devidos lugares. A única coisa que se diferenciava no meio de toda aquela simplicidade era o símbolo do super homem, que se localizava no espaço da parede acima da cama.

   - Eu deveria dizer alguma coisa? – a confusão em sua voz parecia bastante séria.
   - Eu já deveria saber que você não perceberia sozinho, mas eu pensei nesse quarto como sendo para um garoto que costumava ser meu herói... – expliquei, de forma pausada – Mas acho que ultimamente ele está querendo ser o vilão.
 
   Houve uma alteração sutil. Lucas se esforçou para não deixar transparecer um pequeno sorriso, o que me fez rir. Ele desviou o olhar do meu por alguns minutos, parecendo um tanto sem graça e eu precisei reprimir o impulso de começar a gritar “CHUPA! NA SUA CARA, OTÁRIO! EU SOU UM AMOR DE PESSOA E NÃO A NADA QUE VOCÊ POSSA FALAR SOBRE ISSO. NÃO, ESPERA, QUER DIZER ALGO? DIZ! DIZ! NÃO ESTOU OUVINDO? AH, TÁ!”

   - Bom, - começou ele, ainda parecendo um pouco relutante em precisar engolir seu orgulho excessivo – quem disse que eu não posso ser as duas coisas?
   - Você não existe... – ri.
   - Mas, falando sério, obrigado, pequena. Aliás, vou considerar esse quarto como um convite para que eu te visite mais vezes...
   - Fique à vontade. – respondi - Apenas lembre-se de vir, quando eu realmente estiver aqui!   
 
   O loiro deu de ombros, parecendo despreocupado quanto a essa minha exigência. Sem lhe dar tanta atenção quanto deveria, me preparei para me dirigir à porta – afinal, ainda havia alguém nos esperando do lado de fora do quarto. Já estava quase tocando a maçaneta novamente, quando fui mais uma vez puxada por trás. Aquilo já estava ficando repetitivo...

   - Ei, eu ainda não te agradeci! – lembrou o loiro.
   - Na verdade, você não precisa, mas... O que tem em mente? – eu estava mais desconfiada do que curiosa.
   - Bom, nós estamos aqui e nós temos uma cama de casal... – ele falou devagar, arrastando as palavras. – Então, o que eu tenho em mente?

   Suas sobrancelhas se arquearam sugestivamente, enquanto eu refletia se ele realmente estava falando do que eu estava pensando ou o problema era comigo e eu estava virando uma maníaca sexual. Não precisei de muito tempo para perceber o quão ridículo era a segunda opção. Eu estava conversando com o Lucas e tudo para ele poderia se resumir facilmente em uma coisa.

   - Você é muito idiota! – conclui, por fim.
   - É brincadeira, bobona! – ele riu, me abraçando por trás. – Eu não faria isso com você...

   Por que cargas d’água ele falou “você” com um tom de voz diferente?

   - Ei, qual o problema comigo? – perguntei, ofendida.
   - Nada, oras. Mas você é só... A (Seu Nome)!
  
   Então, vamos recapitular... Eu estava irritada e ofendida, porque o meu melhor amigo aparentemente não queria transar comigo. A real questão nisso é: Quanto eu teria que pagar para se internada no melhor hospital psiquiátrico do mundo para conseguir me livrar desse horroroso retardo mental do qual sofro?

   - Você fala como se fosse grande coisa, não é? – embora eu tivesse percebido internamente que meu nível de sanidade não era significativo, ainda me sentia completamente ofendida.
   - Não é sobre isso que eu estou falando! – Lucas revirou os olhos, como se minha afirmação fosse completamente irrelevante – É só que você é minha melhor amiga, minha bobona, minha pequena. Isso seria estranho de infinitas maneiras. E mais estranho ainda é você parecer ofendida ao invés de aliviada com isso...
   - Bom, é apenas porque eu sei que eu sou objeto de seu desejp antes mesmo de você sonhar em ter sua primeira vez, ok?
   - Para dizer a verdade, eu estou tentando ser um garoto bom e puro. – falou, sem jeito – Por favor, não me teste. Eu não posso me controlar por muito tempo...        
  
   Suspirei, sem me surpreender com suas palavras. Embora estivesse gostando muito de ficar escutando e rebatendo as palhaçadas do Lucas, o decorador ainda nos esperava lá fora, provavelmente entediado e – como todo bom adulto – maliciando nossa demora. Assim, puxei o loiro pela mão para que saíssemos logo do quarto juntos.

   Passamos mais um longo tempo verificando os outros cômodos, mas não era nada muito além do que eu esperava. Lucas permaneceu o resto do tempo um pouco mais calado, talvez ainda satisfeito com a minha pequena surpresa simplória. Apesar do seu silêncio, era ótimo apenas estar em sua companhia.

   Quando já, afinal, tínhamos passado por todos os cômodos da residência, revi o plano de decoração externa. A piscina seria construída em alguns dias e, certas áreas teriam que ser mais bem tratadas por conta da grama. Além, é claro, da iluminação. Em meio a todos esses pequenos detalhes, uma coisa era certa. A espera estava me matando ao poucos, eu estava ansiosa para ter um lugar para chamar de meu.

   Assim que tudo pareceu acertado, eu e Lucas pegamos nosso caminho até o lugar em que eu estava me escondendo nos últimos dias. Quer dizer, essa era a ideia inicial, até o gordo do meu melhor amigo decidir que estava com fome e conceder um endereço novo ao taxista, sem ao menos me consultar. Eu teria reclamado, mas o meu estômago pareceu concordar com a sugestão feita pelo loiro.

   Fiquei observando pela janela, perdida em milhares de pensamentos confusos e distantes. As casas, prédios e lojas que passavam por nós nas ruas só me lembravam de que eu não conhecia tanto “minha cidade” como gostaria. Era raro eu ter um apego por algum lugar, já que eu dificilmente parava por um tempo significativo em um. E isso era uma das coisas que mais me faziam falta.

   - Finalmente! – a voz masculina ecoou do meu lado, quando o veículo parou em frente ao restauranteesperado.

   Lucas catou umas notas na carteira que levava no bolso e entregou-as ao taxista, que não pareceu muito satisfeito com a sua exatidão. Aparentemente ele não teve tanta atenção assim por nossa parte, já que o loiro rapidamente saiu do carro, mantendo a porta aberta para que eu passasse, em seguida. Transbordando de dó, mas se a mínima paciência para procurar a carteira na bolsa, sorri, sem graça para o motorista, agradecendo-o, antes de sair.

   - Lucas, você deu uma mixaria para o homem. Coitado! – sussurrei, enquanto acompanhava-o, ainda com a sensação de que poderia ser escutada pelo motorista, embora este já tivesse bem distante, virando a esquina.
   - Que mixaria? – suas sobrancelhas se uniram em uma expressão meio confusa. – Eu apenas paguei o que deveria, não?
   - E o que custava você dar um pouco mais de dinheiro para o taxista? – continuei a argumentar, me demorando mais no passo.
   - Pergunte para a minha carteira e ela te dirá a dor que sente, toda a vez que é aberta...

   Suspirei, admitindo para mim mesma que não importava o que eu dissesse, Lucas sempre daria um jeito de contornar a situação e ainda fazer graça. Assim, permaneci em silêncio nos poucos passos que restavam até a porta do restaurante. Foi apenas quando entramos no estabelecimento, que senti um braço contornar minha cintura suavemente e, então, lá estava meu melhor amigo querendo fazer uma cena de falso cavalheirismo.

   Permiti que aquele teatro se prolongasse até o momento em que nos fosse indicada uma mesa e nos apresentado o cardápio. Sentado de frente para mim, a gentileza de Lucas se esvaiu por completo, enquanto ele me ignorava para dar atenção apenas à lista de pratos servidos ali. Nada surpresa com a insensibilidade alheia, acabei por escolher o primeiro nome que vi no cardápio.

   Em poucos minutos, ficamos “sozinhos” novamente, mas Lucas não pareceu muito a fim de conversar, possivelmente, ansioso demais para que sua refeição chegasse logo. Revirei os olhos, entediada, enquanto meu acompanhante parecia se divertir infinitamente observando as bandejas que eram levadas de um lado para o outro.

   Juro que pude ver os olhos de Lucas brilharem quando o nosso garçom retornou a nossa mesa, trazendo os pedidos, o que me fez notar que ele estava com mais fome do que pensava. Eu não estava com vontade de parecer inconveniente ou mesmo chata, então apenas deixei que ele atacasse sua comida, enquanto fazia o mesmo de uma maneira um pouco mais educada.         

   Eu já estava na metade do meu prato, quando me vi quase completamente satisfeita. A única coisa que faltava era alguém para me escutar. Não que eu estivesse precisando de um pseudo psicanalista, mas estava praticamente passando por uma crise séria e, mais do que falar, precisava de alguém que cedesse informações. Talvez, estas pudessem fazer o favor de me manter longe da sensação chata de amiga relapsa.

   - Algum problema? – perguntou o loiro, estranhando o meu silêncio e extrema concentração em nada.
   - Na verdade, não. Eu só acho que nós poderíamos conversar... – pedi, me esforçando para não parecer carente demais.
  
   Lucas hesitou por um longo período. Ele largou suavemente os talheres sobre o prato – quase vazio por completo – e bebeu um pequeno gole do seu refrigerante. Quando, afinal, achei que ele fosse me dar atenção por qual eu ansiava, seus lábios começaram a se mover, mas os olhos fitavam insistentemente o enfeite do centro da mesa.

   - Fiz algo errado? – perguntou, novamente, sem nem olhar para mim.
   - Sim, está me excluindo da sua vida! – comecei, dramática. – Eu não sei de mais nada, então, por que não começa me contando qualquer coisa, hein? Sobre o colégio, o Canadá, seus amigos... Eu sei lá, qualquer coisa.
   - Não tem nada para contar... – Lucas pareceu pensativo. – É uma escola normal, como essas que você encontra em qualquer livro. Nós temos professores chatos. Matérias chatas. Livros chatos. Eu, particularmente, tenho um colega de dormitório que é um pouco legal, não muito. Ele tenta pagar de pegador, o que é meio decadente. Mas no fundo, ele é uma pessoa legal.
   - E como andam suas notas, senhor Lucas? – desafiei-o.
   - Não olhe para mim desse jeito, ok? – ele riu e, felizmente, voltou a sua atenção total a minha pessoa – Eu não gosto de estudar, mas eu também não sou um vagabundo, ok? Minhas notas estão tão boas, quanto eram antes de eu me mudar...
   - Se você está dizendo... – sorri, embora eu acreditasse nele mais do que minhas palavras demonstravam. – Mas do que você mais gosta lá?

   Houve um silêncio suspeito e meu coração doeu bem devagar, como se a dor quisesse se prolongar até se tornar mais insuportável do que era, na verdade. Eu já sabia apenas por seu silêncio a que – ou melhor, a quem – ele estava querendo se referir e isso me incomodou mais do que deveria. Suspirei baixinho, tentando controlar a sensação perto de raiva que estava tomando conta de mim.

   - Acho que você já sabe a resposta... – Lucas se demorou nas palavras, como se realmente considerasse a possibilidade de não responder
   - É, você tem razão. – concordei – Foi uma pergunta idiota!
   - Não, não foi! Se você tivesse me perguntado há um tempo, quando eu ainda estava chegando lá, eu provavelmente diria as festas. O pessoal sabe bem como se divertir! Mas, agora, é um pouco diferente. Eu... – ele se interrompeu de repente, o que me soou inesperado. – (Seu Nome), você está bem?
  
   Só após suas palavras preocupadas que eu notei que meus olhos estavam começando a se encher de água. Eu não sabia se realmente havia um motivo para eu estar daquele jeito, mas as lágrimas vieram espontaneamente e, foi por isso, que precisei reprimi-las. Sequei os olhos, antes que eu começasse a chorar oficialmente. Formulei uma desculpa que não fosse tão ridícula e me recompus.

   - Claro. Eu estou ótima. É só que... – respirei fundo, desistindo da minha mentira dissimulada. Ele não iria acreditar mesmo. – É só que é estranho ver você falando assim dela!
   - Agora, você sabe... – sussurrou Lucas.
   - O quê?
   - Como eu me senti quando você voltou a namorar o Justin. Ou mesmo quando você estava sofrendo, fingindo não sentir nada...

   Assenti, embora me sentisse pouco confortável com o que ele havia dito. Sinceramente, eu nunca havia imaginado isso. Para mim, era óbvio que tudo o que Lucas sentia em relação ao meu relacionamento com o Justin era ciúmes e, não que ele se sentisse como eu estou agora (porque é absolutamente claro para todos os seres do mundo que o que eu sinto não é ciúmes. Aliás, nunca senti e nem nunca sentirei, porque ciúmes é um sentimento de pessoas possessivas. Apenas garotas como a Melanie, a idiota que está tentando roubar o meu melhor amigo, sentem essas coisas. Repito, MEU melhor amigo, não dela).

   - Vamos embora? – perguntei, ao sair do meu transe interno.
   - Você não ficou chateada, não é? – o loiro pareceu ligeiramente receoso.
   - Claro que não. Eu só quero conversar... Em um lugar onde eu não sinta que todas as pessoas estão prestando atenção no que eu falo! – sussurrei.

   Lucas sorriu para mim e se apressou em pedir a conta. Antes do que eu esperava, nós já estávamos fora do estabelecimento, caminhando para a beira da calçada, prontos para entrar em um táxi e voltar para casa. Felizmente, no pequeno percurso, o loiro fez questão de manter sua mão na minha, o que não era suficiente, mas servia para acalmar meu coração inquieto. Porém, melhor ainda, seria esfregar esse momento na cara daquela canadense chata. Ou talvez esfregar uma faca. Bem afiada. Sete vezes. Bem melhor...

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Awn, capítulo 50, lindas :)
  Demorei, né? Foi mal! Eu estava com um pouco de falta de inspiração, daí eu fico mais lerda para escrever... Mas, enfim, está aí!
  Espero que tenham gostado!

(PS: A imagem do capítulo é da Lil bitch)

02 fevereiro 2013

3. You Make Me Love You - Capítulo 49



Alfinetando



Belieber's POV

  
Ouvi atentamente o que me era dito pelo celular, concentrando-me em cada pequena informação que era posta ao meu conhecimento. Acabei por concordar com quase tudo, surpresa por me ver tão satisfeita com algo que eu ainda nem vira. Acertei o horário, por fim, e desliguei a ligação, colocando o celular novamente no bolso da minha saia.

   Retornei a cozinha, onde Lucas acabara de almoçar e estava levando o seu prato até a pia. O loiro colocou a louça lá e ficou parado, admirando o nada. Eu já havia acabado de comer há poucos minutos e tinha lavado tudo o que sujara, mas apesar disso, eu tinha certeza total de que se eu não tomasse iniciativa, aquele prato iria fazer aniversário ali, abandonado, sem nunca ver água na vida.

   Empurrei Lucas para o lado, delicadamente e, tomei o prato de sua mão, ligando a torneira rapidamente. Ele sorriu satisfeito para mim, provavelmente porque o seu plano para me fazer de escrava estava funcionando bem como havia previsto.

   - Obrigado! – sorriu, parecendo bem mais satisfeito do que agradecido.
   - Você não iria lavar mesmo... – suspirei, me concentrando no que deveria fazer.
   - Detalhes... – bufou o loiro, sem dar muita importância. – Vamos falar de coisas relevantes, ok? Tipo, o que iremos fazer hoje?

   Ignorei seu interesse, apenas para fazer suspense, enquanto dava mais atenção para a água que ainda jorrava da torneira. Eu já estava com a resposta na ponta da língua há muito tempo, mas preferia atiçar sua curiosidade. Afinal, lavar aquele prato deveria mesmo me render pelo menos alguns segundos de diversão ás suas custas.
 
   - Você não tem ideia sobre o que eu programei para hoje... – comecei, misteriosa.
   - O quê? – perguntou, aparentemente animado.
   - Absolutamente nada!
  
   Houve um silêncio arrastado, enquanto eu fingia não notar a expressão decepcionada do meu melhor amigo. Seja o que fosse aquela cena, ele iria superar...

   - Você só pode estar brincando, não é? – berrou, exaltado.
   - Claro que não, bobo! – falei, com a maior calma possível – Por que nós não podemos, simplesmente, ficar em casa e sossegar? O que é tão importante que precisamos realmente fazer hoje, hein?
   - Ah, sei lá. Você me chamou toda animada para que eu viesse para cá e, então, quando eu finalmente estou aqui, você quer me prender em cativeiro na casa do seu namoradinho! – reclamou, parecendo um idoso ranzinza. – Bem que nós poderíamos sair essa noite, não? Deve ter alguma boate por aqui... Eu vou para ousadia, eu vou para cachorrada. Hoje, eu quero trair...

   Vamos recapitular... O Lucas sempre odiou funk, porque, segundo ele, é tipo de música de quem não pega ninguém, mas finge pegar todo mundo – “quem garota em sã consciência pegaria aqueles mc’s que mais parecem atores de filme de terror?” –, entretanto, ele estava cantando um parecendo muito familiarizado com aquele gênero musical. Além disso, como se não fosse suficiente, o tarado começou a rebolar atrás de mim, esfregando o corpo dele no meu. Em outras palavras... Ele estava completamente bêbado, dopado!
      
   - Lucas, para de graça! – mandei, sem a mínima vontade de ser simpática e receptiva a sua brincadeira.
   - Ai, como você está chata, hein? – resmungou, ainda insatisfeito. – Mas eu estou falando sério. Vamos aproveitar que o seu namorado insuportável não está aqui e vamos sair para algum lugar que ele, com certeza, não gostaria de ir!
   - Claro que não, Lucas! – continuei sem me deixar levar pelo seu falatório – Você acha mesmo que eu iria sair para esses lugares logo agora que o Justin foi embora. Isso iria parecer horrível. Porque, aparentemente, eu estaria esperando ele não estar por perto para enlouquecer em uma dessas baladas capengas por aí...
   - Ué, mas qual é o problema disso? – perguntou naturalmente – Não é exatamente a verdade, (Seu Nome)?
   - Claro que não, imbecil! – respondi, hostil. – Caso você não saiba, eu tenho um namorado e o respeito muito. Diferente de você, que está velho, resmungão e tragicamente solitário.

   Lucas interpretou uma expressão de comoção tão convincente que eu quase me arrependi de ter sido tão dura assim com ele. Na verdade, mais do que isso, me senti profundamente culpada e cruel por tal escolha de palavras. Mas, de certa forma, o que eu falara fora mais por conta da raiva que eu ainda sentira por aquela garota que havia ousado conquistar o meu (MEU) melhor amigo.

   - Ai! – gemeu ele, ainda com a expressão exageradamente triste – Assim você magoa meus sentimentos, sua sem coração...
   - Ah, que bom! Pelo menos assim, a Melanie pode cuidar do seu coraçãozinho machucado e... Espera! Acho que não!

   Ok, eu juro que dessa vez saiu sem querer!
   - É, mas ao contrário de mim, você parece ter um maravilhoso relacionamento amoroso... – recomeçou o loiro, antes que eu pudesse me retratar. – Um namoro muito forte e duradouro. Seria uma pena se alguém tentasse acabar com ele!
   - O que você quer dizer com isso? – meus olhos se arregalaram.
   - Eu só estava pensando como ficaria o meu pobre amigo, Justin, após ver uma foto da sua namorada pegando o melhor amigo loiro e gostoso dela... – ele retirou o celular do bolso, calmamente, enquanto falava.
   - Você não faria isso, faria, Luquinhas lindo do meu coração?
   - Isso, minha doce amiga, se chama vingança! – um sorriso malvado tilintou em seus lábios – E, se você quiser ter uma chance, melhor começar a correr...

   Antes de conseguir tomar um pouco de fôlego, já saí disparando para fora da cozinha e por pouco não escorreguei no piso estupidamente liso. Atrás de mim, os passos apressados muito mais largos de Lucas me indicavam sua enorme proximidade. Embora eu quisesse muito escapar e sair ilesa daquela situação embaraçosa e inconveniente, podia notar o quanto eu já arfava e ainda nem tinha alcançado a oportunidade de subir as escadas. Talvez eu pudesse apenas me trancar no banheiro do primeiro andar...

    Tarde demais!

   Braços fortes me agarravam por trás e eu gritei involuntariamente com o susto. Camuflando o meu receio de que Lucas não estivesse apenas brincando, engoli em seco, me obrigando a manter a calma, enquanto meu corpo era imprensado bruscamente contra a parede mais próxima. Suspirei ao notar o sorriso de orelha a orelha do meu melhor amigo. O idiota conseguia realmente ficar muito orgulhoso de toda aquela cena que estava armando.

   Pressionando seu corpo contra o meu, apenas para continuar a me manter entre ele e a parede, Lucas mexeu calmamente nas opções do seu celular até ajustar a câmera como bem entendia. Meio de repente, ele voltou sua atenção para mim. Seus olhos faiscavam para meus e seus dedos deslizaram suavemente pelo meu lábio inferior. Poderia ser impressão minha, mas ele estava praticamente analisando minha expressão de pavor. Pensei seriamente em dar-lhe um chute “onde dói”. Quem liga se isso provavelmente diminuiria as chances de ele ter filhos um dia?

   - Sabia que você tem uma boca muito linda? – constatou o loiro, suspirando. – E, como você é uma garota boazinha, vou até deixar você escolher o ângulo que você prefere para a foto, ok?
   - Você não pode fazer isso! – uma dose de segurança tomou conta de mim, quando me apeguei a uma mísera ideia que passara pela minha cabeça.
   - Me dê um bom motivo...
   - Porque se você ousar fazer qualquer gracinha, eu dou um jeito de estragar de vez o seu lance com a Melanie. – pronunciei o nome da indesejável com um pouco mais de repulsa que eu jamais usaria em outros casos.
   - Você não tem como fazer isso, minha linda.
   - Eu tenho a Manuela, que é uma arma secreta melhor do que qualquer outra. – ameacei, com um sorriso mais irônico que conseguiu – Ela é minha melhor amiga e você sabe que se eu pedir, ela pode até fingir que está grávida de você. E então... Vai realmente querer arriscar?
   - Isso seria um golpe baixo...
   - E o que você estava prestes a fazer, não era?

   Lucas fez um biquinho de reprovação, parecendo pensar seriamente em alguma coisa. Aproveite o pequeno intervalo de distração e o empurrei – nem um pouco delicada – para que ele se afastasse. O loiro bufou, insatisfeito, antes de virar as costas para mim e caminhar pesadamente até o sofá, onde se jogou como uma criança malcriada.   
   Ignorei o ataque de infantilidade do meu melhor e bobo amigo, enquanto praticamente o seguia até o centro da sala. Só gastei o meu tempo para pegar a bolsa que eu havia deixado jogada sobre a poltrona. Passei a alça despreocupadamente pelo ombro e me dirigi à porta de saída, procurando por minha carteira.

   - Ei, aonde você vai? – Lucas praticamente berrou. A voz meio dopada de surpresa e insatisfação.
   - Eu vou sair. Posso?
   - Eu não sei. Me diz você, senhorita “não posso nem cruzar a esquina, porque meu namorado babaca pode não gostar”... – provocou, cheio de sarcasmo.
   - Acontece, senhor Lucas, que eu não estou indo me divertir em alguma festa de gente bêbada, que era para onde você queria me arrastar. – expliquei, paciente, mas usando o mesmo tom desagradável. – Eu vou ver como andam as obras da minha casa. Era sobre isso que eu estava falando no celular agora a pouco. Então, será que você me permitiria fazer isso?
   - Por mim, tudo bem. Mas se eu fosse você, ligaria para o seu namoradinho para me certificar de que ele não vê problema em você sair do cativeiro, não é?

   Fechei a cara. Lucas tinha o poder de me tirar do sério quando queria – e isso era bem frequente. Precisei respirar repetidas vezes bem pausadamente apenas para me obrigar a manter a cama e não acabar por sufocá-lo com um travesseiro. Afinal, seria uma ótima ideia. Não havia testemunhas ali...

   Quando notei que estava começando a levar a sério aquela possibilidade, refletindo inclusive em como relataria a morte do meu amigo para a polícia, achei melhor ir embora, antes que acabasse por fazer uma besteira. Assim, continuei meu caminho até a porta e, sem hesitar, saí de casa, me certificando de fazer uma saída bem ruidosa e dramática. Queria que o loiro idiota sentado no sofá da sala se sentisse infinitamente culpado.

   Logo que cheguei ao jardim da casa, passando pelo mesmo enquanto procurava ter certeza de que havia dinheiro suficiente na bolsa para pegar um táxi, senti que a minha irritação se dissipara um pouco. O ar puro me proporcionou um pouquinho mais de tranquilidade. Mas durou pouco. Já estava quase chegando ao portão principal, quando escutei chamarem meu nome ao longe. Distraída, apenas me virei para a direção de onde vinha o som e, para falar a verdade, não fiquei surpresa. Lá estava o loiro correndo até mim. A expressão incrivelmente mais suavizada do que antes, ao praticamente gritar:

   - Posso ir com você?
 
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Capítulo 49, lindas :)
  Então, meninas, eu sei que eu tenho enrolado bastante para postar esses dias, porque, nas férias, eu me distraio muito rápido (hahahaha), mas eu vou tentar voltar a postar regularmente, principalmente, porque eu notei recentemente que o meu tempo quando as aulas voltarem será realmente escasso (mais do que já era :c). Mas não se preocupem por agora, viu?
  Por enquanto, só aproveitem esse capítulo fraquinho mesmo hahahaha :c
  Boa noite!

(A imagem do post é da Grace Bordios

01 fevereiro 2013

Resultado: "Concurso" 1 ano de Devaneio

É hoje!
   Primeiramente, gatinhas, eu queria agradecer à todas as (poucas) que participaram, ok? Não só por não terem ignorado minha ideia, mas principalmente por terem escrito coisas tão lindas. Vocês realmente não tem noção de como cada textinho (que foi muito maior do que eu achei que fariam haha Amei isso!) me fez chorar igual uma boba. Pois é...
   Então, saibam, que se vocês não ganharam a camiseta dessa vez, pelo menos, agora vocês sabem que eu sou completamente boba e que posso sorrir e chorar até com um "<3" de vocês, imagina um comentário enorme. Em outras palavras, saibam que me fizeram imensamente feliz, ok?

   E, em segundo lugar, vamos ver quem ganhou?



  Pois é! Foi a dona Amanda (@awishkidrauhl), hahah :)
   Parabéns, linda, apesar de, como você disse, estar aqui há pouquinho tempo, eu senti como se você sempre tivesse presente por aqui só por ler esse seu texto lindo. Muito obrigada por todas as palavras lindas e, parabéns pelo esforço... Você tem até amanhã para entrar em contato comigo, ok, linda? Caso contrário, o prêmio passará para outras e nada legal, né?! Hahahaha, você pode me procurar no @FallingForDrew e tirar qualquer dúvida que tenha, antes de me passar as informações, ok? E, por lá mesmo, eu vou te informando a medida que eu for fazendo tudo (mandar fazer a blusa, enviar, etc...)

   E, para todas aquelas que participaram e não tiveram tanto sorte assim, deixa para próxima, gatinhas! Eu provavelmente pensarei em outra coisa e, em um futuro próximo (bem mais próximo do que 365 dias, porque eu não sei se o blog continuará até fazser dois anos), talvez a ganhadora seja você! :)

  Enfim, como eu já disse antes, muito obrigada a todas vocês por terem me acompanhado ao longo desse ano é realmente muito importante para mim. Espero também que vocês permaneçam aqui para me ajudar a concluir isso, ok? Lembrem-se, o devaneio não seria nada se eu não tivesse vocês. Muito obrigada mesmo...
  Então, eu acho que nos encontramos aqui mesmo, amanhã? Hahahaha
  Boa noite!