Amigável, amigável, amigável...
Belieber’s
POV
Já eram 14h, quando eu cheguei ao
shopping que Selena havia escolhido. Eu estava um pouco atrasada de acordo com
o horário combinado, mas a culpa fora exclusivamente do meu orgulho, que não me
deixou pedir carona para o Justin e, então, eu tive que pegar novamente um táxi
– aliás, não era a primeira vez que esse taxista me levava a algum lugar. Porém,
assim era até melhor, porque eu não queria mesmo que Justin, nem Lucas
soubessem onde eu estava indo. E muito menos com quem eu estaria.
Entrei quase correndo no shopping,
sentindo alguns olhares estranhando, atrás de mim. Nós tínhamos marcado de nos
encontrar em um restaurante que ficara no segundo andar. Eu sabia que estava
bastante atrasada, mas ficaria realmente indignada caso Selena não tivesse me
esperado. Afinal, ela quem tinha me chamado aqui, então o mínimo que poderia
fazer era ser paciente.
Afinal, cheguei ao local. Era um
estabelecimento simples como outro qualquer do shopping. Como é usual, a
recepcionista pareceu prestativa demais, quando eu entrei, mas recusei seus
serviços, garantindo que estava bem por conta própria. Eu já havia localizado
Selena, sentada a uma mesa no fundo do restaurante em uma área bem iluminada.
Ela estava mexendo no celular, enquanto apenas um copo de água permanecia sobre
a mesa.
Aquela era possivelmente a minha
última chance de ir embora e fingir que eu nem tinha ido ao lugar combinado.
Depois, eu simplesmente inventaria que tive um compromisso inadiável e então
estaria tudo bem. Mas não foi isso que fiz. Possivelmente a minha atitude tem a
ver com o tipo de educação que a minha mãe me deu. Talvez não seja legal deixar
as pessoas esperando por nada.
- Oi. – cumprimentei, me aproximando.
- Oi! – Selena pareceu surpresa. –
Nossa, eu já estava pensando que você não viria mais!
- Desculpa. – falei, nem um pouco
arrependida, enquanto me sentava. – O trânsito estava horrível.
- Sem problema. Então... Vamos pedir
alguma coisa?
Assenti, com calma. Eu nem havia
notado que Selena já havia chamado um garçom, quando este parou em frente a
nossa mesa, com um pequeno bloco, pronto para anotar o que queríamos. Acabei
pedindo a primeira coisa que vi no cardápio, sem paciência para procurar muito
por algo que com certeza me agradaria.
Enquanto esperávamos, um silêncio
macabro tomou conta da nossa mesa e eu estremeci. Selena estava distraidamente
contornando os desenhos abstratos da toalha de mesa de cor clara. Assim, permaneci
quieta com a certeza que se abrisse a boca para iniciar uma conversa,
provavelmente seria mandando-a fazer coisas obscenas com palavras de muito
baixo calão. Felizmente, quando a minha paciência já começara e se desgastar e
eu ficara prestes a fazer isso, o garçom retornou a nossa mesa, equilibrando
bandejas que representavam felicidade para meu estômago faminto.
Dirigi minha total atenção à refeição,
enquanto era completamente ignorada por Selena, que fazia o mesmo. Estava dando
certo, até que a minha fome foi totalmente satisfeita e eu me vi curiosa demais
para continuar lidando com o silêncio alheio. Respirei fundo, antes de começar,
sendo bastante direta.
- Então, você me chamou aqui, porque
queria conversar comigo, não? Sobre o que você quer falar exatamente?
- É. Na verdade, eu estava querendo
falar com você desde ontem... – explicou, após terminar de mastigar.
- Não é sobre o Justin, é? – suspirei.
- Sim. Mas tem outras assuntos
também...
- Como por exemplo?
- Sobre o seu amigo Lucas... – falou
de forma quase inaudível, enquanto evitava olhar para mim.
Precisei de um minuto para refletir
sobre o que havia acabado de escutar. Aparentemente, a senhorita Selena Gomez
queria conversar comigo sobre o meu melhor amigo, enquanto eu segurava uma faca
e um garfo na mão. Bom, não é algo muito inteligente de se fazer. Precisei
olhar discretamente para os lados, apenas para checar se haviam muitas
testemunhas no local e notei que eram poucas pessoas, fáceis de ser subornadas.
- Fale! – pedi, fingindo ser
agradável.
- Ele não... Falou sobre mim, não é? –
ela pronunciou cada palavra devagar, enquanto suas bochechas pareciam tão
suavemente vermelhas.
- Na verdade, eu não falei com ele
depois do que aconteceu ontem, mas... – fiz uma pausa dramática, me sentindo
feliz demais por destruir as expectativas dela com a verdade. – Pelo que eu
conheço bem o Lucas, posso te garantir que ele não falará nada sobre você, a
menos que queira se gabar para alguém e ele não costuma fazer isso.
- Ah, que bom! – ela pareceu aliviada,
para minha decepção. – Você ficou chateada com isso, não é?
- Eu? Chateada?
- Com ciúmes, então? – tentou mais uma
vez, com um sorriso tão presunçoso no rosto, que fez minha mão querer marcar um
encontro com a cara dela.
- Eu não estava com ciúmes... E por
que você fez aquilo, hein? – perguntei, nem um pouco amigável.
- Eu não sei. – Selena suspirou,
parecendo sincera. – Eu não tinha intenção de que acontecesse, mas ele é tão...
- Sedutor? – sugeri.
- É... Quero dizer, quando o Justin
nos apresentou, ele começou a conversar comigo, de um jeito próximo demais. E,
então, quando nós ficamos sozinhos, aconteceu.
- Você teve sorte! Nem sempre ele
conversa antes...
- Suspeitei. – Selena parecia um pouco distante – Para dizer a verdade,
ele não faz nem de longe o meu tipo, mas nem assim eu consegui impedi-lo. Você
provavelmente vai me odiar por dizer isso, mas ele beija tão bem...
- Bem até demais! – sussurrei, baixinho.
Selena me encarou sugestivamente e eu
suspeitei de que não havia falado tão baixo assim. De qualquer maneira, eu não
esperava que ela me repreendesse, afinal, sequer tinha esse direito. Lucas era
meu (MEU!) melhor amigo, eu podia beijá-lo a hora que quisesse. Não, não é isso
que quero dizer. A verdade é que, ainda assim, Selena não tinha o direito de
encostar no meu loiro, sem a minha permissão. Em outras palavras, essa zé
ninguém também não tinha o direito de me repreender por algo que aconteceu há
anos.
- Você e o Lucas já... – insinuou
Selena.
- Não! – respondi depressa. – Não.
Nunca aconteceu, nem vai acontecer!
A morena ocultou um pequeno riso e eu
fingi não notar, antes que acabasse deixando que a minha falta de paciência
falasse mais alto. Continuei me esforçando para aparentar naturalidade, embora
estivesse realmente incomodada de estar sendo vista em público com ela.
Ao acabarmos, tratamos de resolver a
conta o mais rápido possível, já que eu estava ansiosa para sair dali. Bem, eu queria
ficar mais alguns minutos para aproveitar da sobremesa, mas a magrela inimiga
da minha felicidade explicou que havia uma sorveteria no quarto andar que era
definitivamente melhor do que qualquer coisa que eles teriam ali. Assim,
concordei com ela, aceitando seu conselho, enquanto tentava parecer civilizada.
Eu já estava voltando a me sentir uma
pessoa feliz novamente, imaginando que logo após sairmos do restaurante, eu
iria para uma direção e Selena para outra, mas não foi bem assim. Eu nem tinha
colocado o primeiro pé para fora do estabelecimento, enquanto ajeitava a minha
bolsa, quando a possível maluca ao meu lado deu um pequeno ataque e quase me
arrastou para uma loja de roupas há poucos passos dali.
Aquela situação realmente me
desagradava. Pior ainda era saber que possivelmente haveria fotos nossas
espalhadas pela internet, que daria a entender que eu e Selena somos super
íntimas e amigas. Isso era repulsivo de milhares de formas diferentes.
Nós ficamos vendo algumas araras,
enquanto ela parecia procurar algo específico. Eu não tinha ideia do que
poderia ser, mas lhe mostrei algumas peças e ela pareceu gostar, juntando-as
com outras várias que carregava. Ela parecia estar se divertindo infinitamente,
enquanto eu discretamente olhava para os lados, buscando câmeras que pudessem
explicar que tudo aquilo não passava de alguma pegadinha desses programas que
Justin adora.
Percebi que as coisas realmente não
estavam em um nível normal, quando me vi parada, junto a Selena, em frente a um
manequim bastante detalhado. Ela parecia analisar cuidadosamente um perfeito
vestido azul cobalto que o primeiro estava vestindo. Suspirei, percebendo o
quanto aquilo estava me cansando.
- O que acha desse? – perguntou,
notando minha impaciência.
- Você sabe que eu não estou nem um
pouco confortável com isso, não é? – desabafei, por fim.
- Tem razão. Esse, não. – falou,
crítica. – Vamos experimentar os outros!
Selena começou a caminhar calmamente
em direção às cabines de prova, enquanto eu a seguia, questionando mentalmente
sobre a sua capacidade de me ouvir. Aliás, se eu quisesse ir embora agora, acho
que ela nem ligaria. Talvez, não fosse uma ideia tão ruim, se eu não
considerasse o fato de que provavelmente me perderia na extensão daquela loja.
Sem muitas opções, segui a morena até
ela entrar em uma cabine, quando senti que afinal poderia descansar, sentando
naqueles pufes acolchoados que ficam do lado de fora. Eu não estava cansada
fisicamente, mas, por dentro, aquele passeio louco com a Selena estava me
esgotando. Vi minha remota chance de acabar com isso, quando ela abriu a
cortina e se mostrou, trajando uma calça jeans, que ficara realmente perfeita.
- E então, ficou boa? – perguntou, se
ajeitando.
- Você realmente se preocupa com a
minha opinião? – respondi com outra pergunta.
- Bom, não estaria perguntando se não
ligasse!
- É, mas não era exatamente para isso
que viemos aqui, não foi? – suspirei, perdendo o fôlego para ser desagradável –
Você queria conversar comigo e eu suponho que o assunto não fosse bem roupas,
não é?
- Na verdade, não era. E, eu nem
queria mesmo estar aqui, mas precisava ganhar tempo com você. Eu sei que você
iria tentar ir embora, na primeira oportunidade que tivesse...
- Eu? – disfarcei, me culpando por
ser tão óbvia. – De qualquer maneira, você queria ganhar tempo e já o tem.
Então, sobre o que quer falar?
Antes de me dar uma resposta
aceitável, Selena fechou a cortina vermelha depressa, me ignorando por
completo. Agora era oficial. Ou havia algumas câmeras escondidas ali ou aquela
garota era realmente louca, em um nível de poder ser internada em um manicômio.
Por via das dúvidas, eu deveria pesquisar por o telefone de algum desses por
perto.
- Acho que você está errando demais
com o Justin! – falou, dentro da cabine, me pegando de surpresa.
- Por que você acha isso? – indaguei,
nem um pouco interessada na opinião daquela intrometida.
- Bom, ele fala bastante sobre você.
Aliás, bastante mesmo... – ouvi um suspiro, que eu poderia jurar ser de
decepção. – Se você quer saber, foi ele quem me passou o número do seu celular!
Hum. Não sei como não pensei nisso
antes. Só o Justin mesmo para me meter numa situação ridícula dessas. Embora
não fosse proposital – pelo menos, acho que não –, ele sempre dava um jeito de
me colocar em furadas.
- Ele fala bem ou mal? – me
manifestei, voltando a realidade.
A cortina voltou a se abrir,
rapidamente. Selena agora trajava um vestido tomara que caia vermelho e um
pouco curto. Era, com certeza, a peça de roupa mais maravilhosa de toda a loja.
Trajando aquela roupa, ela quase parecia ser digna da minha paciência e
seriedade, mesmo que não muita.
- A pior parte é que ele fala bem! –
suspirou, se olhando no espelho.
- Então, por que é pior? Ele deveria
falar mal? – a essa altura da conversa, eu já havia voltado a reconsiderar a
ideia de acertar um soco na cara dela.
- Bom, na verdade, supostamente, sim.
– continuou, completamente natural – Quero dizer, no contexto, sim. Veja bem...
Ele fala muito de você, mas ele é sincero. Ele conta sobre o que anda
acontecendo de verdade entre vocês e, embora supostamente ele deva ficar
irritado com algumas coisas, não fica. Ele sempre fala de você como se fosse a
coisa mais perfeita que já aconteceu na vida dele. É lindo de ver!
- Resumindo, aonde você pretende
chegar com esse papo?
- O Justin te ama, (Seu Nome). E, às
vezes, parece que você não percebe...
- Ah, Selena, o que você sabe, hein? –
me exaltei, irritada por ela achar que pode pagar de analista comigo – Eu nem
sei porque ainda estou aqui te ouvindo, eu não gosto de você...
- Bom, digamos que eu não sou muito
sua fã também, sabia? – Selena arqueou as sobrancelhas, parecendo incrédula
diante das minhas palavras.
- Você é a ex do meu atual namorado.
Por que eu deveria te amar?
- E você é a atual do meu ex-namorado.
Por que eu deveria te amar? – retrucou, colocando ênfase no “eu”.
Ela voltou a fechar a cortina. Eu
realmente não sabia o que fazer, talvez eu pudesse, afinal, ir embora,
deixando-a ali, sozinha. Mas não parecia certo. Aparentemente, ela não estava
de fato irritada com a minha sinceridade. Pelo menos, não era o que parecia. Na
verdade, Selena me lembrou bastante Lucas, ao me provocar com o que dissera por
último.
Tentei não me importar muito com o que
estava acontecendo com a minha companhia esquizofrênica e relaxei no pufe,
ansiosa para voltar para casa e para minha confortável cama. Havia a
possibilidade de eu estar quase pegando no sono, quando ouvi o barulho da
cortina a minha frente se mexendo.
- Então, o que você acha de uma parceria no
próximo álbum?
Hesitei por um instante. Selena estava
me fitando com um certo ar divertido e eu notei, finalmente, que ela não ligava
nem um pouco para o que havia sido dito anteriormente. Eu não sabia como deveria
responder isso, sem demonstrar um jeito falsamente amigável, mas ainda assim,
sua despreocupação me incentivava a não conseguir ser menos do que agradável.
Porém, esperava que nada disso me fizesse parecer melosa demais.
- Bom, gostei desse vestido! – respondi,
finalmente.
- Ótimo, porque ele será seu...
- O quê? – arquejei, surpresa.
- Você vai ficar com o vestido e eu
com a calça jeans...
Antes que eu pudesse exigir por
explicações ou recusar, ela se preparou para voltar a se arrumar. Esperei
pacientemente, pensando em algo que pudesse dizer para recusar aquele estranho
presente. Apesar de ter realmente gostado do vestido, ele parecia menos
maravilhoso por ser escolhido por Selena. Não que eu tivesse algo contra ela –
embora na verdade, tivesse – mas simplesmente porque nós não éramos tão
próximas a esse ponto, o que só tornara a situação ainda mais estranha.
Acompanhei Selena até o caixa para
pagar e ela fez questão de tomar a minha frente, quando eu comecei a retirar o
dinheiro da carteira para comprar o vestido. A morena estava determinada a me
presentear com aquilo e eu quis simplesmente gritar e sair correndo. Não era
possível que a senhorita Gomez estivesse sendo gentil comigo. Ela tinha algum
retardo mental?
- Então, e agora? – falei, ao sairmos
da loja.
- Bom, nós ainda podemos ir pegar
aquele sorvete que você queria...
Apesar de estar ansiosa para que
aquilo acabasse logo, eu não era forte o bastante para resistir a um sorvete. Assim,
seguimos para o andar superior, enquanto notava uma Selena definitivamente mais
leve e animada. Aparentemente, a dose de sinceridade tinha feito muito melhor a
ela do que a mim. Embora aquilo estivesse começando a me contagiar de forma
estranha, eu tentara em vão resistir, me agarrando a ideia de que virar amiga
da Selena era apavorante demais para mim.
Me concentrei em escolher como queria
meu sorvete, tentando me distrair, antes que acabasse pirando entre pensamentos
contraditórios. Havia um enorme dilema entre decidir qual calda que melhor
combinaria com o sabor que eu escolhera. Lutei para fazer obter uma decisão
sensata, quando a voz da minha acompanhante ecoou ao meu lado, me fazendo
esquecer completamente o que eu estava fazendo anteriormente.
- Então, vai pensar no que eu te falei
sobre o Justin?
Eu não queria ter que ouvir isso. Não
queria ter ouvido nenhuma palavra sequer que a Selena tivesse dito na loja. Não
queria pensar sobre o assunto. Não queria perceber que eu estava errada. Mas
pareceria que em breve eu teria que encarar isso mais uma vez, quando voltasse
para casa. E, como era usual, eu não tinha ideia do que fazer em relação a esse
garoto. Não havia certo ou errado, quando se tratava de Justin.
Acabei escolhendo o primeiro sabor de
calda que vi. Já não fazia mais tanta diferença assim.
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Capítulo 42, gatinhas :)
Eu deveria ter postado ontem, mas não deu tempo. Desculpem!
E, o capítulo de hoje, vem com um pedido de desculpas especial para a Maria skaoskaposksks Providenciarei uma treta em breve. Pretendo! hahahah
Aliás, o capítulo de hoje terminou com calda, porque é uma coisa muito importante no mundo dos sorvetes, que é o mundo em que eu gostaria de viver, porque o calor que está fazendo ultimamente é sofrível!
Mas, por hoje é só, amoras :)
Espero que tenham gostado...
(A imagem do post é do "Harry Styles" :o hahaha)
Anonimamente

Belieber's POV
Acordei perdida, pela manhã. Eu ainda estava
insatisfeita pelo que havia acontecido na noite anterior, mas tentava ignorar
acontecimentos passados. A única coisa que me deixou bem humorada ao levantar
fora o barulho agradável de uma fina chuva, caindo do lado de fora. Aquilo não
era suficiente para me confortar, porém eu tinha esperanças que a garoa traria
o frio. O agradável frio.
Não
consegui me distrair. Pelo contrário, os pingos que caiam lá fora faziam meus
pensamentos voarem para longe. Pensei no Lucas. No seu estúpido e desnecessário
beijo com a ex do meu atual namorado. Na Selena. Em tudo o que eu havia
escutado a seu respeito. No jeito como ela estava agarrada ao meu loiro quando
eu os flagrei. E, por fim, pensei em Justin. Apesar de tudo que já havia
acontecido até ontem, talvez eu estivesse agindo demais como uma psicótica.
Repeti para mim mesma, inúmeras vezes,
que a culpa daquilo tudo era de Lucas. Eu havia mudado o meu alvo de Selena
para meu melhor amigo. Embora eu não gostasse de admitir que estava sendo
injusta, não dava mais para negar. Eu tinha cem por cento de certeza que Lucas
havia usado seu lado mais cafajeste possível. Tentei desejar internamente que
ele não tivesse vindo, mas não conseguia. Nada era capaz de me deixar brava com
esse idiota, a um ponto tão crítico assim.
Ouvi o meu celular tocar ensurdecedor,
sobre a cômoda. Peguei-o com cuidado, quase receosa ao olhar a tela.
Aparentemente, eu tinha duas novas mensagens. Eu ainda não havia visto o
remetente, temerosa demais para saber do que se tratava, já que eu realmente
não esperava que alguém tivesse algo para falar comigo. A única coisa que eu
não aceitaria era notícia ruim.
“O idiota do Lucas está com você, não
é?”
Era a Manuela. Ri sozinha do que
estava lendo, embora imaginasse que ela não estivesse tão feliz, na hora que
escreveu. Aliás, isso já havia acontecido há quase uma hora atrás, perto das
10h da manhã. Me apressei para digitar uma resposta, ansiosa para saber qual
seria sua reação após a confirmação.
“ Bom, ele está sim. Por quê? Ciúmes,
porque ele prefere ficar comigo que com você?
Não o culpo! Você manda mensagem
para mim, apenas para perguntar sobre terceiros. Notei o quanto você me ama,
hein?”
Enviei e continuei encarando o
celular. Esperei, impacientemente, por uma resposta imediata, mas demorou. Eu
estava curiosa para terminar esta conversa primeiro, antes de ser pega de
surpresa por outra mensagem, que aparentemente era de um número desconhecido.
Já estava considerando parar de esperar, quando o celular vibrou na minha mão e
eu fiz o mesmo, antes de visualizar a resposta.
“Aff, ele é um idiota! Nem para me
avisar. Tomara que quando volte, dê treta. Só para ele aprender a não esconder
as coisas de mim.
De qualquer forma, você ainda tem a
cara de pau de ME chamar de ciumenta? Por favor, (Seu Nome), você já está
fazendo drama, porque eu amo mais o Lucas do que você, porém não. Me desculpa,
gatinha. As coisas estão muito loucas por aqui, mas logo acaba e, então, darei
um jeito de te perturbar muito. Aguarde!
Enfim, vou ter que parar de responder
agora, antes que eu perca meu celular. Sinto sua falta, minha chatinha!”
Sorri involuntariamente. Esse era um
dos poucos momentos em que eu percebia que sentia mais falta da minha melhor
amiga louca do que queria admitir. Ela era uma das poucas pessoas que não
pensavam mesmo após uma situação completamente incabível. Eu poderia pedir para
ela fazer qualquer loucura comigo e ela faria, sem hesitar. Pensar que agora
não havia ninguém tão corajosa e imprudente como ela, ao meu lado, era um tanto
quanto depressivo.
“Ok, então. Estou esperando, hein?
Boa sorte, Manu. Sinto sua falta
também, minha piriguete!”
Enviei a última mensagem, me sentindo
insatisfeita por saber que não obteria resposta. Fiquei até esperando um pouco,
mas era bem provável que ela já tivesse desligado o celular e nem ao menos
tivesse visto todo o meu amor e carinho que estava lhe enviando. Suspirei,
inconformada ao saber que não era capaz de ter certeza. Odiava a distância.
Quando o meu celular voltou a vibrar,
quase fiz uma festa, achando que seria Manuela, novamente, mas minha animação
fora em vão. Aparentemente, eu havia ficado tão empolgada com a primeira
conversa com a minha melhor amiga depois de meses, que esquecera que havia
ainda outra mensagem de número desconhecido. Agora, o meu celular fazia questão
de me lembrar de não deixar o estranho sem resposta.
“Preciso falar com você!
O que acha de nos encontrarmos hoje?
Pode ser em qualquer lugar que você queria, mas eu realmente preciso falar com
você!”
Fiquei um tanto quanto perplexa,
diante da situação de que havia um maluco (ou talvez possível presidiário) me
mandando mensagens anônimas, querendo marcar um encontro para abusar do meu
corpo nu. Sem um pingo de vontade de continuar sendo assediada anonimamente,
segui sem entusiasmo para a segunda mensagem que havia sido recebida há poucos
minutos.
“Oh, esqueci! Você não tem meu
número...
Sou eu, Selena :)”
Ok, era melhor que fosse mesmo o
maluco. Ou o presidiário.
Permaneci encarando aquelas palavras
durante indeterminados minutos. Eu realmente não fazia ideia do que aquilo
poderia significar. Afinal, não conseguia pensar em nada que aquela pedófila
pudesse querer falar comigo. Ainda assim, estava impedindo a mim mesma de
abandonar o celular sobre a mesa de cabeceira e fingir que não era nada, como
eu teria feito no dia anterior. Não tinha certeza de que era apenas curiosidade
ou, talvez, vontade de colocar os pingos nos “is” finalmente.
Contrariando todos os meus instintos –
que gritavam para que eu recusasse o convite –, comecei a digitar uma resposta
positiva. Aceitei o que ela estava propondo e pedi para que a própria
escolhesse o lugar e o horário. Sem esperar uma resposta imediata, levantei e
me dirigi ao banheiro, pronta para tomar um banho e começar a me arrumar.
Percebi que estava ansiosa demais para ter a chance de, afinal, acabar com toda
essa confusão. Antes que isso acabasse comigo.
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Capítulo 41, lindas :)
Eu sei que está curtinho, mas o próximo será maior, sério. Só para vocês saberem: eu ainda leio os comentários, ainda divulgo se vocês pedirem, ainda mando capítulos pelo twitter se vocês perdirem e ainda me importo muito, muito.
Enfim, eu espero que tenham gostado.
(A imagem do post é da Fanny)
(In)Esperado

Belieber's POV
Cheguei à casa mais tarde do que esperava,
devido ao trânsito pavoroso. Ansiosa para sair do carro, entreguei algumas
notas para o taxista e afirmei que ele poderia ficar com o troco, sem nem
realmente olhar para o que estava lhe dando. O motorista agradeceu,
entusiasmado, me deixando com a certeza que eu tinha pagado bem mais do que
deveria.
Já na calçada, esperei o veículo
seguir seu caminho, antes de caminhar até a entrada da casa. Peguei o pequeno
cartão na carteira e o passei pelo local específico do interfone, fazendo o
portão principal abrir. Já dentro da propriedade, digitei a senha no pequeno
monitor e, então, ele se fechou, novamente. Eu realmente odiava esse processo
metódico de segurança.
O caminho até a casa pareceu uma
eternidade, enquanto eu andava batendo os pés na grama, ainda irritada. Eu
sabia que provavelmente não pegaria um flagra, nem nada muito surpreendente,
afinal, segundo o horário em que Justin me ligou – e eu ignorei –, eles já
haviam chegado há bem mais tempo que eu. Então, era de se imaginar que eles já
tivessem aproveitado bastante.
Ao finalmente chegar à porta, me atrapalhei
para achar as chaves, devido à pressa, mas quando encontrei, tratei de
colocá-la na porta o mais rápido possível. Antes de girar a primeira ou até
mesmo tocar na maçaneta, refleti comigo mesma sobre como deveria entrar. Poderia
ser uma entrada triunfal ou, talvez, algo mais discreto para poder tirar foto
do momento e ter justificativas para quando eu fosse julgada por homicídio, em
algum tribunal.
Abri a porta devagar, entrando pé
antepé e fechando-a tão silenciosamente quanto. A luz central da sala não
estava ligada, apenas as outras. Meus pés se recusavam a continuar, enquanto o
meu receio aumentava. Eu tinha medo do que podia ver e, ao mesmo tempo, tinha
medo por ter medo, porque ainda havia uma enorme parte de mim que confiava
no... Meu namorado.
Porém, quando me aproximei do sofá
da sala, meu mundo desabou, desmontando em cima da cena mais repulsiva que eu
já vira. Suas mãos se encaixavam perfeitamente na cintura e no pescoço da
morena. As pernas dela estavam jogadas por cima das dele. O beijo parecia tão
intenso e desesperado, que seria mais confortável se eles estivessem em um
quarto, aliás, sem camisa ele já estava. A decepção que eu imaginei que
sentiria foi rapidamente substituída pela raiva.
- Ei, vocês! – berrei, tentando
controlar a irritação.
Selena deu um pequeno grito de
surpresa, enquanto se afastava, fazendo com que minha insatisfação só
aumentasse. Ela pareceu bastante sem jeito ao se endireitar no sofá para olhar
para mim, aparentando, pela primeira vez, estar incomodada com as mãos
masculinas em seu corpo. Ao contrário dela, Lucas permaneceu sem alterações,
apenas roçando os lábios no pescoço da jovem envergonhada em seus braços.
- Hã... Eu... – Selena tentava
formar as palavras, enquanto afastava suavemente Lucas de si, com o rosto vermelho
e batom borrado na boca. – Eu acho que já está tarde, não?
- Tarde demais. – concordei, fria.
- Então, é melhor eu ir! – ela se
levantou do sofá, ajeitando as roupas amassadas – Tchau, Lucas!
- Tchau, linda! – falou o loiro, antes
de puxar novamente Selena e dar-lhe um beijo em sua mão.
Selena sorriu discretamente, antes
de dar-lhe as costas, pegar a bolsa e começar a andar em direção à porta. Ela
hesitou ao passar por mim e seu rosto ficou ainda mais vermelho, embora eu não
achasse que fosse possível.
- Boa noite, (Seu Nome)! – falou, por fim. –
Diga a Justin que eu disse “boa noite”, ok?
- Claro! – assenti, com a cara mais
cínica que podia.
- Obrigada!
- Bom, pode ir, que eu abro o portão
para você! – assegurei, desfrutando do meu autocontrole – Boa noite, Selena!
A morena continuou a seguir até a
porta, sem coragem de sorrir para mim. Considerei isso uma sábia decisão,
porque eu estava prestes a esfregar a cara dela no piso. Com calma – uma
quantidade bem pequena, mas suficiente – observei enquanto Selena chegava à
porta e a abria, saindo do meu campo de visão. Tentando restaurar minha
sanidade, ignorei Lucas e segui para a cozinha, onde fiquei vigiando sua
amiguinha nova pelas câmeras de segurança, até que ela estivesse próxima à
saída. Precisei ser forte para controlar a vontade de esmagá-la contra as
grades.
Retornei a sala, com passos curtos e
bem marcados, mantendo os olhos em Lucas, que permanecia deitado no sofá como
se nada tivesse acontecido. Ele nem pareceu ligar, enquanto eu me aproximava e
aproveitei sua falta de culpa para pegar disfarçadamente uma das almofadas
jogadas no chão.
- O que foi? – perguntou,
fingindo-se de inocente.
Fuzilei-o com o olhar, durante um
mísero segundo, antes de começar a lhe bater com a almofada, utilizando toda a
força que eu tinha. Estava desejando mentalmente que a maciez do objeto fosse
substituída por quilos e quilos de cimento, capazes de triturar os ossos
daquele idiota.
- Lucas, seu viado! Corno! Imbecil!
Tarado! – berrei, enquanto continuava a lhe bater. – O que você tem na cabeça?
- (Seu Nome), você está exag...
- Cala a boca, babaca! – continuei.
– Cala a boca, antes que eu quebre todos os seus ossos, arranque seus olhos
fora e almoce todos os seus órgãos.
- Mas não aconteceu nada demais! –
afirmou, enquanto se defendia, sem dificuldades.
- Ah, não? Então me conte, Lucas
Barros, desde quando é normal você enfiar essa sua língua inquieta na boca
daquela vagabunda, hein?
- Não precisa falar assim também!
- Não tente me repreender, Lucas,
porque eu, com certeza, não estou legal para te aguentar agora! – informei,
lutando para que as lágrimas de irritação não caíssem e me deixassem parecer
frágil em uma situação dessas.
Em uma tentativa frustrada de me
distrair dos meus próprios sentimentos e manter minha integridade intacta,
acertei a almofada em meu melhor amigo pela vigésima vez. Mas antes que esta o
acertasse, ele arrancou-a das minhas mãos e me segurou, impedindo-me de
continuar a me movimentar. Rosnei, frustrada e irritada ao mesmo tempo. Queria
espancar Lucas até ele não ser mais capaz de se mover durante uns dois dias,
mas aparentemente eu não era capaz disso tudo.
Os olhos do loiro penetraram nos
meus de forma intensa. Ele estava tentando parecer, de alguma forma, inocente e
eu precisava admitir que Lucas era bem competente no que fazia. Tanto que quase
fez com que eu mesma me sentisse culpada por estar sendo má com ele. Ainda
assim, meu bom senso ainda conseguira se manter firme e, foi este que me fez
desviar o olhar, antes que eu acabasse deixando que o jeito sedutor do Lucas me
controlasse.
- Onde está Justin? – perguntei,
conformada por não poder fazer mais nada.
- No quarto dele, provavelmente. –
respondeu, me soltando, finalmente.
Me ajeitei, sem olhar para ele,
antes de pegar novamente a almofada e, passando direto pelo loiro, me dirigir
às escadas. Eu estava a ponto de explodir e, aparentemente, todo mundo ali
tinha alguma parte de culpa. Supostamente, eu deveria estar aliviada porque não
era bem como eu pensava, mas acho que a surpresa só serviu para me deixar ainda
mais irada. Era como se todas as células do meu corpo estivessem contaminadas
por essa fúria e eu só piorava em saber que estava tão submersa em um
sentimento negativo.
Suspirei, ao chegar à porta do
quarto de Justin. Entrei devagar e silenciosamente, me surpreendendo com a
imagem que encontrei. Justin dormia docemente, tomando conta de quase toda a
cama. Seu peitoral se mexia lentamente, acompanhando o ritmo de sua respiração.
Era o tipo de cena que eu poderia admirar por horas consecutivas, sem me
incomodar, caso não estivesse tão irritada.
- Você ousa dormir em uma situação
dessas, vagabundo? – gritei, tacando a almofada nele.
A única coisa que eu ouvi, em
seguida, foi o estrondo de Justin caindo no chão, após acordar assustado. Ele
gemeu baixinho, enquanto se levantava vagarosamente. Aparentemente, Justin
estava bastante atordoado, pelo menos, era isso que parecia quando ele me
encarava, com a expressão confusa. Considerei a possibilidade de que ele não
estava sequer me reconhecendo. Isso, por algum motivo, deveria ter me deixado
com uma sensação de culpa por tê-lo acordado, mas não.
- Estou esperando uma explicação! –
continuei, sem me abalar.
- (Seu Nome)... – murmurou, baixinho.
– Do que você está falando?
- Por que você trouxe aquela
aproveitadora aqui? Por que você deixou aquela maníaca sozinha com o Lucas? Por
que você não fez nada para impedir que aquela pedófila se aproveitasse do meu
melhor amigo? E, por que você está dormindo, enquanto tudo isso acontece, hein?
Está usando drogas, por acaso?
- Não. – respondeu, pausadamente. –
Mas e você? Está? Porque, sinceramente, é o que parece!
- Cala a boca, seu idiota, e me
explica essa história! – mandei, sem um pingo de vontade de ser educada.
- Como eu vou explicar com a boca
calada? – ele franziu a testa, parecendo estupidamente perdido.
- Justin, pelo amor de Deus, não
brinca comigo! – respirei fundo, buscando um pouco de calma e paciência. – Será
que você poderia me explicar o que realmente aconteceu durante essa tarde?
- Bom, para começar, saiba que eu
acabei contando para a Selena o que aconteceu por conta daquela foto. Então,
ela insistiu que queria falar com você, porque estava se sentindo culpada ou
qualquer coisa assim. O que eu poderia fazer? Eu a trouxe aqui. Não havia
demais nisso. O real problema foi o seu amiguinho sem vergonha na cara. E, bom,
eu não poderia tapar a boca dele com uma fita adesiva, não é?
- Eu... Eu... – tentei falar, entre
dentes.
Aparentemente, eu não tinha qualquer
argumento.
- Argh! Eu te odeio! – menti,
frustrada.
Desprovida de paciência, me dirigi
para fora do quarto, batendo a porta, em seguida. Ignorei a voz de Justin atrás
de mim. Eu não queria escutar mais as suas palavras, porque, aparentemente, ele
tinha mais argumentos e razão do que eu, o que não era muito aconselhável,
quando eu estou irritada.
Finalmente, sozinha, no corredor, me
joguei no chão e fiquei lá, quieta. Queria gritar e me jogar da escada para ver
se a dor passava. Eu não era do tipo agressiva, mas me arrependi em silêncio de
não ter dado nenhuma tapa na cara daquela magrela. Talvez, esse pequeno ato
aliviasse um pouco a irritação. Ou não. Mas deixaria uma marca legal.
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Capítulo 40, amoras :)
Então, o que acham do casal Lelena? (skaopskaposkaoks Que nome estranho. Enfim Lucas+Selena). Por favor, respondam, porque eu quero saber a reação de vocês, ok? Ok! Hahahahha
Por hoje, é só, amores!
Espero que tenham gostado!(A imagem do post é da mericern)